Contos do Fachini

Valdir Fachini
Compositor  - Escritor
valdirfachini53@gmail.com

* O conteúdo deste blog é de inteira responsabilidade de seu idealizador

Gostou do conteúdo dessa página?

Compartilhe com seus amigos em sua rede!





18/01/2017

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site. É vedada a inserção de comentários que contenham palavras torpes e que violem a lei e os bons costumes. O AlagoasWeb poderá retirar, sem prévio aviso, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

Deixe seu comentário

Papo vai, papo vem


Você vai bater um papo com o capeta........espera ai padre, não é nada disso que o senhor está pensando, não.
FIM
Alguns meses antes.

Diomedes ficou orfão de pai e mãe e foi morar com os tios, na casa tinha três primas, Marieta, Julieta e Violeta, a tia Henriqueta e o tio, um chupeta.

No começo o mancebo ficava quietinho no seu canto, todo arredio, parece até que tinha medo de gente, aos poucos foi colocando as manguinhas de fora.

Uma tarde, o gurizão foi na igreja do bairro e procurou o padre, queria se confessar., padre João então disse ........confessa meu filho.

Ele começou.....sabe o que é, seu padre? eu sou orfão, moro com meu tio, minha tia e três primas, um dia, todo mundo saiu, só ficou eu e a Marieta e papo vai, papo vem, conversa daqui, conversa dali, eu tracei a minha prima.

O padre recriminou,  disse que só Deus é quem perdoa, deu um monte de penitência e pediu pra que ele não fizesse mais aquilo.

Alguns dias depois, está lá o taradinho de novo no confessionário......então, seu padre, eu já contei né? eu moro com meus tios e primas, uma noite, eu fui com a Julieta na lanchonete, na volta começou a chover, a gente se abrigou numa casa em construção e papo vai, papo vem, crau! comi a Julieta.

Padre João chacoalhou a cabeça e disse....você vai queimar no fogo do inferno, some daqui, moleque sem noção e vê se reza umas quinhentas Ave Maria.

O carinha foi embora, não sabia rezar a Ave Maria, rezou um Pai Nosso meia boca e ficou por isso mesmo.

Mas não parou por ai, logo, logo, o comedorzinho estava de novo se confessando na maior cara de pau.....então, seu vigário, o senhor está sabendo que eu sou orfão, moro com meus tios e primas, o senhor também sabe que eu fiz mal pras duas mais velhas, mas não foi por mal não, é que a carne é fraca e o bicho homem não vale nada.

Desembucha logo, seu Don Juan de meia tigela, o padre já estava ficando nervoso.
...Ta bom, ontem a noite, a Violeta bateu na porta do meu quarto, ela queria um livro que tinha me emprestado, eu pedi pra ela entrar e pegar, ela entrou, mas antes de pegar o livro, a gente ficou ali conversando e papo vai,papo vem, eu peguei ela.

O padre fulo da vida.......não vou falar nada, te entrego nas mãos de Deus, você vai prestar contas pra Ele, não sou Pilatos, mas lavo as minhas mãos.

O padre achou que daqui pra frente, o que viesse seria lucro, foi quase isso.

Semana seguinte, quem chegou pra se confessar? Diomedes, o padre pergunta.... você fez mal pra quem agora? pra vizinha?

...Não, pra tia, ela me chamou la porão, pra que eu a ajudasse a fazer uma limpeza e aproveitar pra me dar uma carcada , uma lição de moral e papo vai, papo vem, percebi que a tia ainda dava um caldo e ........
...Some da minha frente, filho do demônio

Dias depois, a padre ainda estava se refazendo da raiva que ele passou com o desnaturado, eis que chega o próprio.

...Juro, que não queria ouvir sua voz nunca mais, fala o religioso......mas infelizmente, sou obrigado, então não me poupe, o que você fez agora?

...Sou orfão, o senhor já sabe, moro com o tio, a tia e as primas, eu já passei o rodo nas quatro mulheres da casa, hoje elas saíram pra trabalhar, mas o tio não foi, ele estava com dor de cabeça, eu levei um comprimido pra ele, logo a dor passou e a gente ficou ali conversando e papo vai, papo vem,   o padre interrompe.......o tio não......Diomedes ....o tio sim.

Uma bela tarde quando o sol já estava quase se escondendo no horizonte, os pássaros já procuravam seus ninhos, os trabalhadores já iam pro buteco, tomar a última pinguinha antes da janta, o padre estava sentado na escadaria da igreja, apreciando o vai e vem das pessoas, quando Diomedes chega e se senta ao seu lado.

O padre pergunta..... o que você aprontou agora?

Ele responde......nada não seu padre, só sentei aqui com o senhor pra bater um  papo.

12/01/2017

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site. É vedada a inserção de comentários que contenham palavras torpes e que violem a lei e os bons costumes. O AlagoasWeb poderá retirar, sem prévio aviso, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

Deixe seu comentário

A angelical fadinha da floresta


Mimosa, Mimosa, onde está você? tá na hora de tirar o seu leite.

Quem está chamando a vaquinha é o seu Lindomar. Aquele bovino era praticamente parte da família daquele pobre e humilde sitiante.

Seu Lindomar, já era um velhinho, baixinho, nem preto, nem branco, cabelo minguado, banguelo, mais feio que a própria feiura, sua cônjuge era a dona Ernestina, tão feia quanto.

Os filhos eram três rapagões até bonitos, Anísio, Dionísio e Aluísio.

Viviam eles, numa casinha pobre, num vale triste, ao lado de uma floresta mais triste ainda, sem atrativo nenhum, pertinho dali, passava um riachinho xoxo que só dava lambari.

Os meninos ainda eram donzelos, nunca tinham visto uma mulher pelada (a mãe não conta, era pecado) eu acho que nem com roupa.

Obs. essa história não é minha não, só estou narrando, também não sei de quem é, eu acho que deve ser D. P.

E tinha a vaquinha Mimosa (não sei se era bem esse o nome da vaquinha, mas como sou eu que estou escrevendo, eu ponho o nome que eu quero) alem do mais, achei esse nome supimpa, eu nunca visto antes esse nome em outra vaquinha.

Naquele dia, a quadrúpede mugidora não atendeu ao chamado do seu dono, mas ele continuou chamando e campeando, até que finalmente achou a ruminante, mas ela estava morta, estava com os olhos esbugalhados, língua de fora e uma fisionomia tremendamente feliz.

Voltou ele correndo pra casa e contou pra patroa o acontecido, o coração da véia não aguentou e ela também bateu com as cacholetas, diante dessa cena , o idoso não resistiu, deu um revertério e também morreu.

Os rapazes ficaram sem chão, também, pudera ! nunca tinham visto um defunto, que dirá dois de uma vez. E agora, o que fazer? então lembraram da fadinha da floresta, que diziam, tinha poderes mágicos ( essa história não aconteceu no Brasil, no nosso folclore não tem fadas, só Saci, Curupira, Mula sem cabeça, Boto cor de rosa, Iara e Serguei ) quem sabe ela fizesse reviver os três cadáveres.

Contaram o acontecido e ela disse que era facílimo de resolver, num estalar de dedos, num piscar de olhos e não ia ficar caro, o pagamento seria.....o mais velho dos meninos, o Anísio, teria que fazer amor com ela, dez vezes seguidas, se ele não conseguisse, também morreria., ele topou e foram pro abatedouro, com uma voluptuosidade sem limites, ele começou o serviço e da-lhe uma, da-lhe duas, três cinco, sete, até parecia esse escritor que lhes escreve, da-lhe nove, na décima, ele arriou e mó-reu.

Então a fadinha falou se o Dionísio queria tentar, só que agora era mais caro, era mais gente pra ressuscitar, o preço agora era vinte, ele foi, qualquer sacrifício vale a pena, pelo amor a família.

Começou igual a um galo, era uma atras da outra, sem tomar fôlego, mas antes de chegar na décima quarta, Dionísio já era o quinto defunto.

Só restava o Aluísio, jovem fogoso, cheio de saúde, vigor, vida e muito espermatozoide doido pra conhecer o mundo.

O tributo dessa vez era um pouco mais pesado, seriam trinta transas cheias de amor e beijos, nem mais,nem menos.

Trinta ?,questionou ele.

Ela responde....sim, trinta, topas?

De novo ele.....mas, trinta é muito! e se a senhora não aguentar e morrer, como aconteceu com a vaquinha?
123