Contos do Fachini

Valdir Fachini
Compositor  - Escritor
valdirfachini53@gmail.com

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23/03/2017

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A tampa da caneta


Ontem eu cheguei em casa, meio assim, mais pra lá do que pra cá, confesso que tinha tomado alguns rabo de galos no boteco do Troca letra (o Troca letra não é japonês não, mas ele troca o ele pelo erre ao contrario do Cebolinha), então eu estava lá com uns camaradas jogando conversa fora, falando das gostosas do bairro, (ninguém falou da minha mulher, não sei se foi por respeito ou se a gostosura dela há muito tempo já se foi), conversa vai e vem, o Troca põe mais um copo no balcão, eu tomo e o papo continua.

Então o assunto foi ficando repetitivo, sem pé e sem cabeça, Chitãozinho e Xororó já estavam cantando em alemão, ai eu resolvi e fui embora.

Quando abri o portão, (que não foi fácil), notei alguma coisa estranha. As luzes estavam apagadas, como não era de costume, silêncio total, será que deu um piripaque na minha mulher?

Abri a porta, acendi a luz, tava tudo arrumado, a sala tava um brinco, só meu violão que estava fora da capa, mas acho que fui eu mesmo que deixei, na mesa de centro um bilhete que com muito custo consegui ler - “decidi, estou te deixando, pode ser que um dia eu volte, se você voltar a ser o que era antes, quando seus amigos forem menos importantes que eu, quando as gostosas forem menos gostosas que eu, quando o seu rabo de galo não for melhor que o meu, a decisão é sua”.

Na cozinha não tinha nada fora do lugar, nem um copo na pia, na geladeira um bifão de contra filé temperado do jeito que só ela sabe fazer e na mesa outro bilhete - “se não aprender a cozinhar vai comer miojo o resto da vida, se vira”.

O quintal estava uma beleza, nem uma folha ao vento, nem uma roupa no varal, só uma brisa leve me dizendo - “bem feito, seu tonto, agora vê se dá os seus pulos”.

À hora de entrar no quarto é que foi mais difícil, não sabia se entrava ou se ia pra sala me descabelar, criei coragem, abri a porta e entrei, também estava tudo em seu lugar, menos as suas bijuterias, (eu nunca fui capaz de dar uma jóia de valor pra ela), seus perfumes, (isso ela tem bastante) e as roupas dela, ela levou quase todas, as que ficaram deve ser porque não couberam na mala ou pra me dar um pouco de esperança.

Na cama outro bilhete que eu me recusei a ler, amassei, mas não joguei, só joguei meu corpo desiludido na cama e ali fiquei até o amanhecer me agarrando às últimas coisas que ela deixou; As lembranças, um bilhete não lido e a tampa da caneta.

19/03/2017

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Totó


Era uma linda manhã primaveril ,os pássaros cantavam alegremente no florido jardim,borboletas sobrevoavam suavemente entre as flores misturando com elas seu voar colorido ,nas praças a petizada corria serelepe de um lado para o outro ,sorrindo e brincando num sonho pueril.
(obs. isso não é um conto de fadas eu só estou enchendo linguiça )agora vamos voltar a realidade .

Já era quase onze horas de um domingo de outubro ,eu tava com a cabeça doendo pra cacete ,numa ressaca depois de um porre que eu tomei no sábado,quando um tonto bateu palmas la no portão ,a mulher tinha ido na missa e eu tive que levantar pra atender.

Cinco minutos pra espreguiçar ,cinco esfregando o olho ,cinco pra achar o chinelo e mais cinco pra mijar e fui atender o infeliz que no caso já tinha ido embora ,mas deixou uma caixa de sapato com um filhote de viralata mais feio que bater na mãe por causa de mistura .

Nisso a mulher chegou ,viu aquele trem e se apaixonou.

Adotamos o feinho que foi batizado de Totó .Eu to pra ver bicho mais fiel que viralata ,toda vez que eu saia ele ia atras ,ia me seguindo de longe ,quando eu olhava pra atras ele se escondia ,eu ralhava com ele mas não adiantava .

Na época eu tinha um quebra galho ,pé de cabra ,uma amante ,ela morava a mais ou menos um quilômetro da minha casa e sempre que eu comparecia o Totó me seguia,sempre do mesmo jeito,se escondendo atras de poste ,saco de lixo ou caçamba ,quando eu terminava o serviço ele estava la me esperando abanando o rabo ,meio distante ,mas estava la.

Porém ,uma tarde ele não me seguiu ,eu andava um pouco e olhava rápido pra pegar ele de surpresa ,nada ,dessa vez ele não me seguiu mesmo .

Cheguei no portão olhei de novo e nada,entrei em casa ,fiz o que tinha que fazer e sai.

Quem estava la na frente me esperando?o Totó e ao seu lado de braços cruzados ,...dona encrenca 

A esperta prendeu o cachorro antes do meu horário de sair,pouco tempo depois ela o soltou ,então foi só seguir o bicho 

O resto da história não é preciso que se diga .

A patroa foi pra casa da mãe ,a amante ficou com vergonha do barraco e mudou da cidade ,o Totó a carrocinha pegou e eu fiquei só chupando o dedo.

Mas eu aprendi uma lição que jamais vou esquecer,nunca mais coloco o nome de Totó num cachorro meu.
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