Contos do Fachini

Valdir Fachini
Compositor  - Escritor
valdirfachini53@gmail.com

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21/06/2017

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Vó Virginia

 
Caxumba, umba, catibiribumba,seja maticumba do firififumba, não queiram saber o que significam essas palavras, porque eu também nem imagino o que sejam.
 
Quem falava assim era a minha finada avó Virginia, baianinha pequenininha, atarracada, perninha torta, amarga igual jiló, azeda feito limão, ardida como pimenta, brava igual a uma cascavel, crente convicta, mas parecia o capeta.
 
A primeira vez que ouvi essas frases, foi quando eu peguei caxumba( naquela época ainda existia caxumba) fiquei com a cara inchada, parecia que tinha uma bola de bilhar na boca, a mãe não deixava fazer nada, tinha que ficar quieto, se possível de molho na cama, ela dizia que se eu ficasse pulando, a caxumba descia pro saco, hoje eu fico pensando, e quando era com as meninas, descia pra onde?
 
Pra cada palavra que eu falava, a vó vinha com suas maluquices e eu molequinho tranqueira que eu era, ficava falando palavrões só pra ouvir as doideiras da baianinha.
 
A vó e o vô não se bicavam, não se entendiam nem a pau, o vô Ezequiel também era baiano, mas ele era um velho muito do sossegado, tranquilo, mas quando azedava, não havia Cristo que o acalmasse.
 
Um dia a vó pegou um pedaço de carvão e fez um risco na sala de fora a fora, pegou um facão e falou pro vô, você fica do seu lado e eu fico do meu, eu passo pro seu lado a hora que eu quiser, mas se você passar pro meu lado, eu te retalho todo.
 
Podia até não acontecer, mas ele não pagou pra ver.
 
Volta e meia, eu tinha umas tretas com ela, ela gritava que eu era um moleque do capeta, eu falava que ela era uma velha ranzinza, mas eu falava bem baixinho( que eu não era bobo, nem nada) ela dizia que um dia eu ia pagar pelas malvadezas que eu fazia e olha que praga de vó pega, tempos depois eu me casei com uma baiana.
 
Mas, no fundo, a vó Virginia não era ruim, ruim foi a onça que não comeu ela.
 
Assim o tempo foi passando, a gente foi mudando de bairro, de cidade, cada um pro seu lado. Quando ela veio a falecer, eu morava em Campinas e ela em Rio Claro, acabei não indo no seu velório.
 
Apesar das nossas desavenças, eu tenho saudades da vó, que Deus a tenha, enha, catibiribenha...

31/05/2017

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O celular

 
Semana passada; não me recordo o dia, mas foi a semana passada, isso eu sei, fui ao Shopping Iguatemi comprar um celular, meu primeiro celular. Depois de muitas tentativas e desistências cheguei a “meia ponto zero” sem ter essa bendita invenção dos infernos. 
 
Meu filho me ensinou a mexer, pelo menos tentou, porque velho pra aprender a fuçar nessas coisas é uma M...Você já reparou que o velho demora um ano pra tirar carteira de motorista, depois de um ano tira o carro da garagem mais um ano pra dar volta no quarteirão sozinho, quando consegue fazer a primeira ultrapassagem sofre um infarto e morre? Pois é, o celular é mais ou menos assim não entra na cabeça, pra que serve aquele botão e aquela luzinha? E o dedão cheio de calos que aperta de três a quatro teclas de uma vez, mas aprendi. Do meu jeito, mas aprendi.
 
Sexta feira, depois de um banho tomado, vesti meu bermudão florido, camiseta baby look, tênis Nike do camelô, boné de marca pra esconder a mixaria de cabelo que restou, correntona com crucifixo, como se eu fosse religioso, pulseira banhada e lá vou eu com meu Monza tubarão dar um role no shopping, no outro shopping.
 
Deixei meu carrão na avenida pra não pagar estacionamento e entrei balançando a chave cheio de panca como se fosse um tchutchuco rico, um paquitão {como costuma dizer meu filho Adriano}. Fui à praça de alimentação pedi um king potato e um suco de laranja  e fiquei ali mordiscando e bebericando, de vez em quando pegava o celular discava um numero qualquer e ficava falando com um amigo invisível, a conversa era mais ou menos assim, E ai cara, tudo joia? Eu to aqui no shopping tomando um suquinho sem compromisso pra passar o tempo, to de boa, Cerveja? Nem pensar, se eu tomar uma quero tomar todas e amanhã tenho uma reunião importante com uns gringos e eu não quero misturar inglês com francês e alemão.
 
Mas na verdade bêbado ou sóbrio só misturo o português, pois é só esse idioma que eu conheço.
 
O tempo passa e eu continuo ali com o mesmo suco, fone no ouvido curtindo Odair José, “zap zap” de mentirinha e de olho nas gatinhas.
 
E foi uma dessas metidinhas que passou bem pertinho de mim e cochichou pra outra.
 
Oh tiozâo tonto, será que não se enxerga? Me senti a própria Maísa, meu mundo caiu.
 
Sábado de manhã, estava eu no shopping, no primeiro, fui à loja e falei com o vendedor, quero trocar esse aparelho e ele perguntou: - quer um com melhor resolução, mais aplicativos?
 
Não, quero trocar por uma panela de pressão. To doido pra fazer uma dobradinha.
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