Contos do Fachini

Valdir Fachini
Compositor  - Escritor
valdirfachini53@gmail.com

* O conteúdo deste blog é de inteira responsabilidade de seu idealizador

Gostou do conteúdo dessa página?

Compartilhe com seus amigos em sua rede!





06/12/2016

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site. É vedada a inserção de comentários que contenham palavras torpes e que violem a lei e os bons costumes. O AlagoasWeb poderá retirar, sem prévio aviso, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

Deixe seu comentário

Escrevi o nome dela


Dezessete pra dezoito anos, acho que eu não tinha mais do que isso, menino bonito, cabelos pretos encaracolados, cara cheia de cravos e espinhas, dentes encavalados, mas perfeitos (naquela época ainda não se usava esses aparelhos cheio de borrachinhas coloridas, o tal do sorriso com grade ) eu gostava de usar calça xadrez, boca de sino, camisa volta ao mundo, sapato de salto carrapeta. Eu fui o rei das meninas, com meu fuscão 1500, tala larga, escapamento Kadron, volante pouco maior que uma bolacha Maria.

Nos bailinhos de garagem não podia faltar, cuba libre, ponche, picles, Creedence , Bee Gees e eu.

Foi num desses que apareceu a Leonarda, uma loirinha do outro mundo, até hoje eu não sei de que galáxia ela surgiu, Dentro de uma calça Lee, tão apertada, que parece que foi embalada à vácuo, uma blusa amarela com os dois botões de cima abertos, coisa de doido, um pitéu.

A macacada quando viu a mina, ficou de quatro, babando, cada carinha chegava com um galanteio diferente, .....e ai gatinha, quer dividir seu ping pong comigo? ....garota ,você tem a medida certinha do meu abraço ...e mais uma porção de baboseiras  típicas dos anos 70.

Então chegou o degas aqui, devagarinho, como quem não quer nada, conversando macio, sem muito balacobaco, sem dar trela pros invejosos e faturou a moça,.(não repare no traquejo do meu palavreado e nem na minha gíria esdrúxula, é que a gente sai dos anos 70, mas os anos 70 não sai da gente.)

Enquanto no long play do Marmelade se ouvia The changing of sunlight to moonlight reflections of my life, eu cochichava na orelhinha da gata, hora jogando uma cantada, outra hora tentando acompanhar a música com meu inglês mal acabado.

Dois dias depois, a gente já estava no maior amasso no muro da casa dela e os coroas só de olho no vitrô e nós dois só se malhando e prometendo amor eterno.

Depois que ela entrava, eu escrevia com xixi o nome dela no muro, As vezes só conseguia escrever Leo, outras vezes, com mais inspiração, eu escrevia, Leonarda meu amor, te amo e ainda sobrava pra desenhar um coração.

Nossa paixão com o tempo só foi aumentando, já estávamos pensando em casamento, filhos, casa, troquei meu fuscão por um opalão quatro portas, câmbio em cima, nos bailes de garagem, com The Hollies e os Fholhas, hi-fi, pão de forma com patê de presunto, não deixamos de ir e as escritas no muro era de lei, tinha que ter, a não ser que chovesse.

Uma noite, quase madrugada, os pais dela (hoje, meu sogro e sogra ) saíram e foram conversar com a gente. Então sem rodeios ele falou.....quando eu era jovem e namorava esse anjo que está aqui ao meu lado, eu bem que gostaria de escrever o nome dela no muro também, porém a gente morava no sítio e não tinha muro, só cerca. O que você faz, não é certo, mas é compreensível.  Escrever com xixi, o nome da namorada no muro é até romântico, é coisa da juventude, uma bonita demonstração de amor, mas seja sincero e fala pra mim,...a caligrafia é da nossa filha, não é?..e era.

07/11/2016

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site. É vedada a inserção de comentários que contenham palavras torpes e que violem a lei e os bons costumes. O AlagoasWeb poderá retirar, sem prévio aviso, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

Deixe seu comentário

O Fantasma do Escravo Tião


Põe esse negro no tronco e dá vinte chibatadas nele. é o tanto de beijos que ele deu na sinhazinha Eleonor.

Se o capataz soubesse o que mais aquele negro tinha feito com a menina, ele mandava dar duzentas chicotadas e ainda cortava fora os documentos dele;

O negro aqui citado, era o escravo Sebastião, negrão alto, forte, espadaúdo e bonito, se fosse nos dias de hoje, com certeza seria um modelo ou ator.

Na fazenda e no eito, não existia uma mulher que não ficava de perna bamba e queixo caído quando via o crioulo e dizem que quando a mulher quer.....nem o Diabo segura, elas sempre davam um jeitinho de se atracarem com o Deus de ébano., Eleonor era uma delas, sobrinha mais nova do sinhô Deodoro, igual a outras tantas, era enrabichada no Tião, dizem as más línguas que ela se perdeu com ele ( mas ela diz que se achou ) sua irmã, sinhazinha Estela, também se fez mulher nos braços daquele gigante preto.

Sempre que podia, o capataz dava um jeito de castigar o moço, as vezes sem o patrão mandar  , ele sempre arranjava um motivo, mas na verdade era pura inveja, porquê ele sempre quis pegar as duas irmãs, mas elas nunca deram chance pra ele, também ! o bicho era feio que só o capeta,mas mesmo assim ele conseguiu se casar, achou uma galega lá de Pomerode, filha de uma amiga de uma tia que morava lá., Frida, era o nome da branquela, que também não resistiu aos encantos do escravo.

Deodata Mariano, a filha querida do dono da fazenda, quando jovem, foi estudar na Europa, (como todo filho de rico de antigamente ) voltou doutora, toda moderna, falando língua estrangeira, mas nem tudo isso foi suficiente pra que ela se livrasse de se apaixonar pelo nosso personagem e ela foi mais ousada e além, embuchou do negão.

O pai, quando soube, não pensou duas vezes e ordenou......mata esse filho do Zumbi e joga pros urubus comerem...ele que vá fazer seu quilombo no inferno....e que peça sua carta de alforria pro   Coisa Ruim    e alguém arruma uma benzedeira ou sei lá o que e arranque essa criança do bucho da minha filha porquê eu não quero crioulinho nenhum me chamando de avô.

Contam por ai, que por muito tempo, o fantasma do Tião, andou aqui pela cidade, jogando seu charme, arrebatando corações e engravidando as moças mais bonitas do lugar.

Diz a lenda, que as morenas mais lindas e charmosas que nasceram aqui são filhas do escravo Tião, eu mesmo , quando era rapazote , conheci várias, me encantei com muitas, apesar de saber de suas árvores genealógicas, me apaixonei por todas, mas não namorei nenhuma, eram muita areia pro meu caminhão.

Mesmo hoje, depois de mais de um século, o túmulo do negro Tião é o mais visitado no cemitério da fazenda, o casarão está abandonado, mas tem gente que ainda vê luzes e movimento a noite eles juram que é o escravo.

Tudo isso são histórias e crendices, mas eu estou preocupado, porquê, minha filha que sempre gostou e só namorou com branco azedo, dia desses, chegou em casa toda Alcione, cantando.....você é um negão de tirar o chapéu...não posso dar mole senão você créu...será?