Contos do Fachini

Valdir Fachini
Compositor  - Escritor
valdirfachini53@gmail.com

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10/05/2017

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O Casamento

 
Se hoje em dia a situação está difícil, você tem que apertar o cinto e dar seus pulos pra manter as dívidas em dia, antigamente o negócio não era tão diferente, mesmo quem tinha dinheiro tinha que se controlar pra não passar perereco.
 
La pelos anos de mil novecentos e não sei quando, o coronel Teófilo, tinha três filhas no ponto de abate, todas colocando as manguinhas de fora, se emperequetando todas, vestidinho decotado, quase mostrando os joelhos.
 
O pai, então preocupado com os falatórios, decidiu que ia casar todas e de uma vez só, ja que os convidados seriam os mesmos seria uma festa só, pra não pesar tanto no bolso do fazendeiro.
 
Assim aconteceu, foi uma festança inesquecível, foram dois bois, quatro leitoas, um monte de galinhas, chopp a vontade, vinho, pinga e guaraná pra criançada.
 
Luis Gonzaga não pode ir tocar, mas mandou um pupilo, com recomendações de fazer bonito, sanfona, zabumba e triângulo e a festa foi até as tantas.
 
Os noivos ansiosos e as noivas pra la de ansiosas não esperaram o baile acabar e foram pra lua de mel, cada casal num quarto da casa, que a mãe tinha arrumado com muito zelo, vaso de flor, castiçal com três velas cada, crucifixo em cima da porta e o famoso lençol branco, pra ver o resultado no dia seguinte.
 
A mãe, muito xereta não se assossegava, até parece que tinha formiga no fiofó, não se aguentou e foi pro andar de cima assuntar o movimento.
 
Pé ante pé, se achegava em cada porta e colocava o ouvido, pra escutar o som do acasalamento.
 
Mariana, a filha do meio, mais o então marido Quincas era uma bagunça só, Mariana gritava, resmungava, gemia e pedia mais,mais, não para, de novo, Nossa Senhora, vou morrer, me mata.
 
Juliana, a mais velha e o seu Tonho, faziam um escândalo que dava gosto, Juliana parecia que estava com o Diabo no corpo, pulava, gritava, derrubou o vaso no chão, pintava e bordava e dava.
 
Ja molhadinha, dona Clotilde foi no quarto da mais nova, a Adriana e o cônjuge Chico, silêncio total, não se ouvia nada, nem o barulho da cortina ao sabor do vento.
 
Preocupada saiu de mansinho, escutou mais um pouco da farra das outras e voltou pra festa.
 
No outro dia, todo mundo reunido na área, pai, mãe, os três machos satisfeitos, com pinta de heróis e as três ex donzelas, com a cabeça baixa, com um sorriso amarelo, a mãe não se aguentou e perguntou.
 
Adriana, minha filha, ontem a noite, por acaso, foi por acaso mesmo, eu passei la em cima e nos quartos das suas irmãs era uma bagunça de lascar, uma animação sem tamanho, elas gemiam gritavam e pediam mais e mais, ja no seu quarto estava tudo quieto, você não gemia, não gritava, não falava nada, aconteceu ou deixou de acontecer alguma coisa?
 
Não, mãe, não tinha nada de errado, não foi a senhora mesmo que nos ensinou a não falar de boca cheia?

01/04/2017

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Oferenda que o mar não quis


Casei....Até hoje eu não sei se casamento é benção ou maldição, eu podia ter casado com Gertrudes, mas me casei com Mafalda, acho que foi praga de mãe.

No começo era uma beleza, eu estava me sentindo o Caetano Veloso, era tudo divino e maravilhoso, ela me trazia os chinelos, apertava meus cravos, perguntava se eu não queria ir jogar bola com os amigos, é claro que eu nunca ia, eu era um perna de pau, não servia nem pra gandula. E muitas outras coisas que ela fazia e eu gostava e ela tinha prazer em fazer, até me apresentava suas amigas gostosas, sem sentir ciúmes.

Mas o tempo foi passando e a rotina como sempre metendo o bedelho na vida dos casais e assim foi com a gente.

Eu fui ficando barrigudo e relaxado, ela foi ficando pançuda e desleixada, se eu quisesse meus chinelos, eu mesmo teria que ir buscar e ficava xingando ela, se eu deixava a toalha molhada em cima da cama, era ela quem me xingava, ela já não era mais a mesma e eu tinha piorado e muito.

Com o passar dos anos eu fui percebendo que as brigas e xingamentos não resolviam nada, então me policiei, só que ela se esqueceu de parar pra perceber o mesmo e continuou com seu mau humor infernal.

Cheguei ao ponto de pensar em dar uma facãozada no pescoço dela e expor sua cabeça, igual fizeram os macacos com o Lampião (calma gente! foi só um pensamento na hora da raiva, eu não ia ter coragem pra isso não ).
Uma vez eu fui embora de casa, me lasquei todo, não sabia cozinhar um feijão, fritar um ovo, pra lavar minhas cuecas era uma negação, as freadas de bicicleta ficavam do mesmo jeito.

Voltei pra casa com o rabo no meio das pernas, pedindo perdão, dizendo que a amava e o escambáu.

Final de dezembro, la vamos nós pra praia, areia cheia de flores, um monte de gente mandando barquinhos com flores, doces e velas pro meio do mar em troca pedindo graças à rainha dos mares, mãe dos orixás, nosso barquinho também estava lá.

De repente eu tive uma ideia genial, aluguei uma prancha e convenci a dona da pensão que ela seria uma ótima surfista, ela acreditou.

E la foi ela nadando rumo ao alto mar, se achando uma sereia, eu fiz de conta que tinha esquecido de falar pra ela amarrar a cordinha da prancha no tornozelo, mas ela é uma ótima nadadora, nos corguinhos lá do bairro não tinha pra ninguém.

De repente, la vem ela, rolando por cima das ondas, feito uma bola, parecia aquelas bolas de arbusto dos filmes de faroeste.

E ainda vinha gritando....hiurruuuuu! toda feliz, como se estivesse na montanha russa da Disney, feito pinto no lixo, então finalmente, chegou na praia, rolando na areia, parecendo um bife de casquinha.

A prancha morreu afogada, mas ela ficou vivinha da Silva e ainda me perguntou....me sai bem?