Refletindo o Brasil

Pedro Cardoso da Costa
Escritor - Funcionário Público - Bacharel em Direito
pedcardosodacosta@refletindoobrasil.com.br

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23/05/2017

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Ser ou não greve geral

 
Sobre a Greve Geral de 28 de abril de 2017, os argumentos de todos os segmentos sociais são repetitivos, sejam na imprensa escrita, na televisão, no rádio e até nas rodas de amigos. 
 
Um dos argumentos mais incoerentes é a preocupação da grande mídia de massa ao pretender tornar o movimento menos importante do que realmente é. 
 
Um famoso jornalista chegou a afirmar que não era geral porque tinham pessoas trabalhando. Ora, se uma greve para ônibus, metrô e trens não pode ser considerada geral, é preciso estabelecer um conceito definido para se chegar ao ponto de uma posição do que seria uma greve geral.
 
Esta afirmação se aproxima de outra muito comum defendida por pessoas que não participariam de qualquer movimento. Elas costumam afirmar que “se todo mundo participar eu também participo”. É uma defesa prévia, tentando ser simpático aos colegas, pois sabem que nunca haverá unanimidade.
 
Se para um jornalista renomado o fato de ter alguém trabalhando não configura greve geral, sua posição fica mais injustificável do que a de um trabalhador averso a qualquer participação popular. Os empregados são, em regra, ameaçados pelos seus superiores e as empresas que, somente nessas horas, colocam todos os meios de transportes para levá-los ao serviço. Não é razoável que um trabalhador tão e cercado assim possa ficar em casa. 
 
No caso dessa greve, não se pode cobrar uma adesão grande dos trabalhadores, sabendo-se da existência de mais de 13 milhões de pessoas desempregadas no país. 
 
Quanto ao mérito de ser contra as reformas aproxima-se de um clichê. Alguns interesses pontuais podem ser diferentes entre aqueles defendidos pela massa daqueles dos organizadores. Mas, alguém precisa liderar, e a população isolada não organiza movimentos. 
 
Agora, achar que o povo está contra as bondades dos “300 picaretas” ou mais, isso vai além de ingenuidade. Eles, tão bonzinhos! A população, tão burra, incapaz de absorver a própria felicidade.
 
Uma propaganda governamental vai nessa mesma direção. Cita o exemplo do uso do cinto de segurança. É comprovado que ele ajuda na preservação física e evita mortes, mas a adesão é forçada. Independente de certo ou errado, ninguém saberia ao certo quantos usariam sem o risco de multas.

07/05/2017

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Um filho a cada falha


Existem alguns problemas que são mesmo de difícil solução. Destes, alguns têm explicações plausíveis, outros, só a complexidade humana é capaz de explicar. Um desses problemas eternos é o nascimento de filhos de forma desordenada sejam de solteiros, amasiados ou casados.

Existem microrregiões em que alguns homens se tornam reconhecidos pela quantidade de filhos que despejam no mundo, verdadeiros reprodutores, como se autodenominam, entregando esses bebês para serem criados geralmente pelos avós maternos. Muitos desses reprodutores são admirados e imitados. Nessa situação em particular, o problema seria bastante minimizado se o Ministério Público, pelos promotores, tomasse consciência do seu papel e processasse a todos, por maus-tratos ou abandono de incapazes, nos casos mais graves, e aos demais para pagamento de pensão alimentícia.

Muitos pais não dão formação social aos filhos suficiente para fazerem a opção de ter filhos planejados, seja do ponto de vista da renda suficiente para alimentá-los, nem para adquirirem moradia confortável ou obterem formação educacional. Em alguns ambientes familiares existem mesmo é uma conivência e permissividade. Em algumas localidades, há uma valoração distorcida. Como regra, as amigas realizam um chá de bebê, o incentivo necessário à gravidez de jovens e a visão de que a questão material estaria resolvida. Depois, sofrem crianças, pais, avós e todos que tenham um relativo senso social.

São diversos argumentos a justificar o número de filhos acima das possibilidades mínimas de cuidados, independente de ser um, serem dois ou mais. Toda vez que se pratica um ato sexual capaz de engravidar, deve-se ter a noção exata que a falta de prevenção trará uma gravidez naturalmente. 

Todas as igrejas, os sindicatos, as ONGs, os governos e familiares deveriam enfatizar, com clareza absoluta, sobre os riscos da gravidez, e cobrar responsabilidade total dos seus pupilos, de forma incisiva, quando arrumassem filhos. Nada de passar a mão na cabeça; nada de dar moleza; nada de assumir o lugar de quem os fez. O adágio “quem pariu Mateus, balance”, tem que ser levado ao pé da letra. Ministério Público e Justiça têm que atuarem em defesa do bem-estar das crianças e penalizar os pais que as abandonassem ou não cuidassem devidamente, para respaldar o princípio básico de toda pena, que é servir de exemplo.

Todos os pontos aqui abordados destinam-se às mulheres e aos homens. Jamais se deve diminuir a responsabilidade deles ou referendar o machismo pela quantidade de filhos. Essa posição vai além da tolice, pois traz consequências sociais graves para todos. Enquanto os pais irresponsáveis não forem para cadeia por deixar filhos abandonados pelo mundo, infelizmente, a sociedade ainda vai presenciar pessoas fazendo filhos por divertimento ou por afirmação sexual. As desculpas da falha do remédio ou do rasgão da camisinha não colam mais nos dias atuais. Até por que já existe a pílula do dia seguinte.

Facilitar o acesso à cultura, à prática de esporte, ao artesanato, à música, mostra um lado bom da vida que não substitui a necessidade de procriar. Mas a consciência sobre a necessidade de cuidar dos filhos é o vetor preponderante para acabar de vez com a fabricação de filho como se fosse produção numa indústria. Colocar filho no mundo deveria ser encarado com maior seriedade por todos.
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