Refletindo o Brasil

Pedro Cardoso da Costa
Escritor - Funcionário Público - Bacharel em Direito
pedcardosodacosta@refletindoobrasil.com.br

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22/07/2017

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Um mandato literalmente perdido


O Brasil já estava na UTI quando os candidatos Aécio Neves e Dilma Rousseff se digladiavam para assumirem a Presidência da República, cada um prometendo mais do que o outro fazer deste país o mais desenvolvido do mundo. A presidente, apenas com a continuidade do céu de brigadeiro em que se encontrava o país em suas mãos; o outro, após a permanência dela por dois mandatos.

Dilma Rousseff levou a melhor. O primeiro poste de Lula continuaria fincado. Como profetizara, fez o diabo e se reelegeu. Nem tomou posse direito e começaram as denúncias de abusos e a corrida pelo impeachment. Caiu. Mas, antes, o país ficou parado por quase dois anos nesse processo para se livrar de uma presidenta, que entrará para a história pela incapacidade de articular uma frase coerente e racional com mais de três palavras.

Enquanto iam crescendo as chances de cair, os seus fiéis aliados de outrora iam se afastando. O mais fervoroso articulador de sua queda, por motivos óbvios, foi o seu vice-presidente, de cuja fidelidade fora antes muito enaltecida por ela mesma.

Alçado constitucionalmente presidente, Michel Temer não respirou. Vice de um poste não poderia ser lá essas coisas. Primeiro, alguns dos seus ministros e auxiliares começaram a cair como pedras de dominó. Tornaram-se frequentes as “relotações” da Presidência da República para a Penitenciária da Papuda.

Uma denúncia atrás da outra, por óbvio não demoraria chegar ao próprio Presidente.  O empresário Joesley Batista jogou a pá de cal, com a gravação de como se preside a República brasileira.

Daí em diante não se falou mais de outra coisa. O presidente da República conseguiu o ineditismo de, no exercício do mandato, ser denunciado por crime comum pela Procuradoria Geral da República.

Para se defender, o presidente foi à “feira” em Brasília. Já eram conhecidas a da madrugada em São Paulo e do Saara no Rio de Janeiro. Nelas, os produtos são de segunda, na de Brasília, talvez de terceira. Lá se vendem e se compram deputados federais, que já são pagos pela população por um trabalho que não realizam.

O pagamento vem em forma de emendas parlamentares “impositivas”; pelos malfadados cargos comissionados para apaniguados e outros meios similares.

Por enquanto, as grandes realizações presidenciais foram tapar a visão das entradas dos palácios com jarros enormes de plantas e colocar misturador de voz nos ambientes internos.

Afinal não se pode saber quem entra nos palácios presidenciais na alta madrugada e, muito menos, o que conversam. Não por acaso, entram empresários e saem bandidos.

Explica-se: no início das justificativas da conversa com Joesley Batista se dizia que o presidente recebia todo mundo na Presidência, sem agenda, sem hora marcada. Estava de portas abertas. Não entrava quem não queria. Depois da gravação, a “feira” de Brasília percebeu que o presidente recebera um “bandido” e não um empresário.

E mais dois anos se vão sem nenhuma obra relevante. Existe apenas uma reiterada tentativa de denegrir a imagem da Polícia Federal, da Justiça Federal e do Ministério Público Federal, instituições que ainda trazem alento aos brasileiros pelos relevantes serviços prestados à Nação, especialmente contra essa casta que pretende continuar dilapidando o país impunemente.

14/07/2017

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Abraço de afogados


No Brasil de hoje, a bagunça, o desrespeito praticado pelos seus governantes, a inércia do Estado, a política rasteira maior, muito mais, do que sempre foi; a Justiça mais perdida do que os próprios políticos larápios ou apenas incompetentes e coniventes, deixam o cidadão com dificuldade de dar um nome, um título a um texto que pretende escrever sobre essa baderna geral em que se tornou a política nacional.

Tem-se atualmente um governo federal com apoio popular abaixo do ralo. Repleto de denúncias com gravações de voz, e nem isso é suficiente para uma tomada de decisão do principal partido que o apoia. Tudo por medo de em pouco tempo seus caciques estarem na mesma condição do atual presidente. Possivelmente, falaram coisas similares ao que o presidente da República falou e a dúvida é se foram gravadas e se alguém teria interesse em divulgar o que disseram.

Gravações e imagens de malas de milhões de reais em dinheiro vivo voando nas mãos de suas “excelências representantes” do povo. As denúncias são feitas e o Poder Judiciário se mostrando muito preocupado em “não gerar instabilidade” no país, como se punir corruptos fosse anormal;  e não a corrupção generalizada. Chega-se ao argumento de que “não se cassa um presidente da República” a todo o momento. Ora, depende de qual é o mal maior. Se cassar uma miragem de presidente ou continuar com um cadáver, apenas para dizer que existe um corpo, quando a alma já foi para o merecido lugar.

Nem isso deveria ser discutido, pois o julgamento político-jurídico é mais uma invencionice genuinamente brasileira, especialmente explicado com muito glamour pelos especialistas políticos.  

Daí em diante, a preocupação maior dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário seria “salvar” o futuro das próximas gerações com as reformas “inadiáveis e necessárias”. Tomando por base o voo das malas ou os empréstimos milionários dá para se imaginar que futuro terão nossos jovens e futuros políticos.

Se o Poder Judiciário continuar atuando como vem fazendo nos últimos dias, aqueles jovens que optarem pela carreira política podem seguir o comportamento dos políticos atuais e trapacear tranquilamente. Serão absolvidos com decisões semelhantes à da chapa Dilma-Temer. Afinal, em qualquer tempo não se cassará um presidente da República a todo instante, faça ele o que fizer. Pouco importa o “oceano de provas” sobre os atos praticados e não servem gravações de visitantes sigilosos nas madrugadas no Planalto. As investigações poderão ser autorizadas, mas as provas conseguidas não poderão ser utilizadas. As instâncias superiores da Justiça brasileira precisam encontrar um rumo.
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