Refletindo o Brasil

Pedro Cardoso da Costa
Escritor - Funcionário Público - Bacharel em Direito
pedcardosodacosta@refletindoobrasil.com.br

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10/12/2016

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Fracasso permanente da Educação


Toda vez que sai um resultado de exames do Programa Internacional de Avaliação de Alunos - PISA, o Brasil aparece lá na zona de rebaixamento. No último, em 2015, ficou em 60º, de 76 países avaliados em leitura, matemática e ciências.

Constatado o fracasso, como sempre surgiram os discursos dos principais envolvidos a justificarem o fiasco, a eximirem-se das responsabilidades e a colocar culpa nos antecessores. Os antecessores são eles mesmos, apenas em postos diferentes. Quem hoje é ministro, ontem era governador ou prefeito e assim segue.

Também estou dentre aqueles com dificuldade de encontrar as saídas. Mas, seguindo os demais, a responsabilidade é dos outros. Minha não é. Ledo engano. Todos somos responsáveis pela melhoria, ainda que não sejamos diretamente pelo desempenho nos PISAs.

Começamos mal pela cobertura que a mídia dá à educação. Ninguém tem dúvida quanto à influência da televisão aberta na cultura brasileira. Mas, duvido que alguém conheça um programa em algum desses canais, que trate da educação formal. Nem sei se ainda existe o quadro “Soletrando” no programa do Luciano Huck. Era uma iniciativa boa, na ausência absoluta de outras.

Os responsáveis pelas televisões dizem que programas sobre educação não dão audiência. Por isso, faltam patrocinadores. Mas o público precisa ser construído com a habitualidade. É preciso existir os programas para possibilitar o surgimento de um público-alvo. Quem sabe alguma delas poderia substituir algum de concursos de comida ou de música, a febre atual, por algum que trate seriamente de educação.

Mesmo as reportagens em programas de notícia, jornais e revistas só falam de números, sejam de escolas caindo aos pedaços, de ônibus aos frangalhos, de falta de merenda, de quantidade de escolas invadidas.  Vão além, apenas, quando é para falar dos tais planos, metas e reformas do governo.

Os grandes jornais não obedecem às regras defendidas por especialistas em educação. Qualquer um grande jornal, quando se abre sua página na internet, estará expondo de forma errada a abreviatura de horas. Eles seguem o raciocínio de que o nosso erro é sempre irrelevante ou muito simples.

Professores são preguiçosos na sua grande maioria. Por exemplo, é comum ameaçarem alunos se aparecerem na escola naquelas pontes entre feriados e fim de semana. Aulas de verdades só existem após semanas do início do ano letivo e acabam um mês antes da data oficial de encerramento.

Alunos brasileiros não aprendem porque não estudam. Decoram itens, números e até conceitos apenas para fazerem prova. Quem consegue nota máxima sabe tanto quanto quem zera nas provas. Ninguém tem orgulho por aprender algo, mas todos se orgulham pelas notas altas que tiraram “colando”. Todos se alegram quando não têm aula ou o professor falta, e ficam tristes, raivosos se algum prolongar alguns minutos de aula para completar um raciocínio.

Só o espanto e a grita geral com os resultados causam estranheza. E a novela “fracasso e desculpa” continua como única receita de quem não se desenvolve em nada.

PS: Para os devidos fins, a partir de 7 de dezembro de 2016, o Brasil declara que tem um novo Supremo. E este é Soberano!

05/12/2016

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República dos apartamentos particulares


De início, é importante tentar desfazer uma tentativa de alguns de associar a ideia de que, quem se manifestou pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff estaria apoiando o governo de seu vice. É a Constituição federal que determina assim. Ponto. Daí por diante, existe muito disfarce no discurso e semelhança de condutas.

Começaram as coincidências com a demissão de ministros. A ex-presidenta demitiu seis quase numa tacada. Roubou a vassoura do Jânio Quadros. Caracterizou-se pela gestão mais faxineira como nunca antes... Daí para frente todos já conhecem o resultado. Michel Temer começou avassalador na depuração da ética. Aí, no meio do caminho existia um prédio. Hipotético, pois ainda não começou, mas já pode lhe custar o cargo.

A tudo o que aconteceu já estamos acostumados. Não é novidade para ninguém um Presidente da República do Brasil dar prioridade absoluta a um prédio, um sítio de um subordinado, ou até a um emprego para o namorado de um parente.

Defender interesses particulares de amigos com o uso de posição de destaque faz parte da grandeza dos nossos líderes. Mas o cinismo e a desfaçatez das explicações posteriores causam dor de barriga. A leniência das instituições que têm o dever de apurar os fatos corrobora para uma decepção profunda e muita tristeza.

E o cinismo no episódio presidencial fica caracterizado pelas tentativas de o presidente tentar transferir a responsabilidade à vítima. Disse Sua Excelência que gravar um Presidente da República seria mesmo indigno. Para ele, digno é um Presidente da República ser gravado tentando usar do seu cargo para forçar um subalterno à realização de um ato ilegal. É mesmo surreal.

Antes, os gravados davam definição ou negavam que tinham falado sobre o prédio com o ministro da Cultura. Isso também já virou retórica. “Ah, falei com ele naquele dia, naquele local, no mesmo horário; mas nunca sobre esse assunto”, costumam repetir como papagaios.

Quando surgiram os boatos sobre as possíveis gravações, mudaram de tom de voz e desconversaram. Sugerimos o envio à Advocacia-Geral da União.  Até então não se sabia que as relações de amizade entre membros do governo compunham interesse da União.

Para demonstrar o tamanho de sua dignidade e fechar com chave de ouro, o Presidente da República reuniu-se com os presidentes do Senado e da Câmara para enganarem a população afirmando que a anistia ao “caixa dois” não passaria. Não passou mesmo, mas não disseram uma palavra sobre a mutilação total das dez propostas do Ministério Público, ocorrida na madrugada aproveitando-se da comoção gerada pela tragédia com o time da Chapecoense.

Talvez para o Presidente da República tudo isso é muito digno. Já se fosse gravado...