Refletindo o Brasil

Pedro Cardoso da Costa
Escritor - Funcionário Público - Bacharel em Direito
pedcardosodacosta@refletindoobrasil.com.br

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15/01/2017

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Genocídio nos presídios


Muita gente fica estarrecida com as imagens televisas de pessoas decapitando outras, mostradas nestes dois massacres recentes: o de Manaus, com 64 mortos, e de Roraima, com quase 40.

Quem se choca com as cenas nem se apercebe de que as justificativas e as medidas tomadas pelas autoridades são mais preocupantes. Também não se atentam para o fato de “acidentes”, como disse o presidente Michel Temer, se repetirem há décadas, e de que as medidas tomadas no passado, que não resolveram nem amenizaram nada, também são iguaizinhas as de hoje.

Até a cobertura da imprensa sobre o assunto é igual a de 1992, quando 111 pessoas foram mortas pela polícia Militar de São Paulo no complexo do Carandiru. Os diagnósticos dos “especialistas” idem. Vejamos os mais comuns.

Explicam, por exemplo, que os condenados deveriam ficar separados entre aqueles que cometeram crimes menos graves daqueles sanguinários. Também são sempre mencionadas a superlotação, as condições precárias, a corrupção de agentes – até pouco falada diante do seu tamanho e a falta de medidas de ressocialização. Como se fosse alguma novidade.

Já as autoridades dão um show de horror, a começar por nem se saber quantas pessoas estão presas onde ocorre um motim ou um genocídio. Depois, não sabem com exatidão quantos fugiram nem quantos morreram. Qualquer tabela de word, em qualquer versão, resolveria esse problema.

Quanto às medidas para contornar a situação, a primeira é colocar um robô falante a dar explicações e apontar soluções. No caso atual foi o ministro da Justiça. E fala com a convicção estupenda de que o mundo está acreditando nelas, mas com a certeza interior de que nenhuma alma viva confia numa só palavra do que diz.  Dinheiro, que sempre falta na prevenção, até a quem pede socorro, começa a jorrar na verborragia palaciana. Lembro bem de uma proposta do então ministro Márcio Thomaz Bastos para a construção de cinco presídios federais. Nem sei se algum foi construído na sua gestão. E cinco para o número mágico da falácia.

Aí, transferem os presos de um lado para o outro. Ninguém contesta ou indaga sobre essa ilusão de ótica, pois todos os presídios do país estão superlotados. Além dos famosos mutirões para soltar quem já deveria estar solto. Ora, deveriam abrir investigação para punir quem manteve na prisão uma pessoa que deveria estar solta. Vou terminar mencionando as reuniões realizadas para os fotógrafos e jornalistas. A última desse tipo foi a da presidente do Supremo Tribunal Federal com o presidente da República. Que solução vai trazer uma autoridade que não teve condições de adentrar uma das detenções que tentara visitar há poucos meses!

Existirem os problemas é grave; mais grave, porém, é saber que daqui a mais algumas décadas eles se repetirão da mesma forma e com as mesmas autoridades se desculpando e batendo cabeça.

Para fechar, coloco uma frase anônima que diz: “uma caneta na mão de um político mata mais do que uma arma na mão de um bandido”. Por demonstrarem tanta fragilidade e enganação, eles conseguem matar a esperança até do mais otimista dos brasileiros.

08/01/2017

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Promessas e queixas de todo fim de ano


É comum no período do Natal surgirem ou se ampliarem ações de solidariedade. Pessoas se desculpam de falhas, amigos se reconciliam de pequenas divergências. O coração fica mais afetivo e compreensivo. As pessoas se buscam e se encontram e muitas vezes se encantam entre si. Encontram virtudes onde antes só enxergavam defeitos e se descobrem tão próximas quando se imaginavam tão distantes. Esses sentimentos não trazem mal nenhum, ainda que sofram da provisoriedade de fins de ano.

Passado o festejo de Natal, surgem os preparativos para as festas e as promessas para o Ano Novo. Na prática, existe uma certa paralisia individual e coletiva no ano que termina à espera do ano seguinte.

Nada que desabone o festival de bondades do período, mas não passam de alívio d’alma, principalmente para quem deixou escapar o ano inteiro sem nenhuma ação prática que melhorasse a família, o grupo de amigos, o bairro ou somente outra pessoa diretamente.

Quem busca a remissão dos pecados no fim do ano utiliza muito a expressão “se eu pudesse, eu ajudaria”. Essa justificativa nunca vem isolada. Ela costuma vir antecedida da indução àquele que pode que faça aquilo que o outro faria se pudesse; ou após uma crítica a alguém que sempre poderia ter feito o que o crítico não fez.

Esse posicionamento varia de frases, que têm o mesmo significado e trazem o mesmo resultado zero. “Se Deus me ajudar...” “Se Deus quiser...” “Se Deus me permitir...” E com a mais utilizada: “Deus ainda vai me ajudar...” E, quando é mais invejoso, costuma comparar-se a você materialmente – a quem se refere – “se eu tivesse condições como você”. Ou elogia com disfarce, a reconhecer a própria fraqueza: “graças a Deus que você pôde ou pode ajudar”.

Concomitante às promessas para o ano novo surgem queixas, com maior intensidade sobre parentes e amigos ausentes “quando mais se precisava”. Trata-se de queixa unilateral, sem nenhuma autocrítica, se não faltou quando os amigos do lado de lá também precisaram.

Esse ressentimento se generaliza mais como disfarce, mas sua concentração fica com a questão material, de dinheiro mesmo. “Quando eu estava numa boa, estava cercado de amigos”, costuma bradar e emenda com um “quando eu fracassei ou passei por dificuldades, sumiram todos”. Não se dá conta de que ele também aceitou e se glamorizou quando estava cercado de bajuladores. Estava tão cego que nunca percebeu que jamais foram amigos! E que o “reclamão” da vez pode ser aquele amigo “caderneta de poupança”: o que faz pelo “amigo” é um investimento que espera receber em dobro. O mundo está cheio de amigos que pagam um cafezinho já esperando receber dois, três ou muito mais do que isso.

Já que falta espaço para definir tanta gente “boa”, reforço o argumento com frase do cantor Chico Cesar quando diz: “Deus me proteja da maldade de gente boa”. Dessa gente que só se acha merecedor a receber e quando dá é esperando o retorno imediato do investimento.

Que em 2017 as pessoas apliquem em planos próprios de investimentos e fiquem certas de que amigos de verdade não são cadernetas de poupança.