Religião


17/11/2016 | 17:55 | Agências

Famílias cristãs perdoam islâmicos que queimaram suas filhas

Terrorista que atacou igreja diz ser ligado ao Estado Islâmico

Reprodução


Os parentes carregam o pequeno caixão de Intan Olivia, 2 anos, morta em um atentado contra a igreja evangélica Oikumene em Samarinda, Indonésia. Ela foi enterrada no cemitério cristão de Phutak. No último domingo, enquanto ele brincava com outras crianças na frente do templo, um terrorista islâmico lançou coquetéis molotov sobre elas.

Olivia morreu queimada e as outras três meninas ficaram feridas. Segundo Ridwan Habib, especialista em terrorismo da Universidade da Indonésia, mais do que uma demonstração de ódio religioso, o ataque visava provocar tensões religiosas na área. Samarinda é a capital de Kalimantan Oriental, uma das muitas ilhas que formam a Indonésia. Na região vivem cerca de 850 mil muçulmanos e 75 mil cristãos – evangélicos e católicos.

De modo geral, o país com maior número de islâmico do mundo, cerca de 200 milhões, enfrenta uma crescente onda de intolerância religiosa. Recentemente, milhares de seguidores de Maomé tomaram as ruas da capital Jacarta para protestar contra os cristãos.

Kalimantan tem um histórico de massacres étnicos, sendo o mais recente em 2010. Segundo Habib, incitar o conflito sectário é um objetivo comum nos ataques do Estado Islâmico. Possivelmente os cinco jihadistas, que foram presos em conexão com o atentado, desejavam criar tensão entre muçulmanos e cristãos, cuja maioria pertence a etnia Dayak.

Contudo, as famílias das meninas decidiram perdoar os extremistas. Os pais de Trinity Hutahaean, 4 anos, que ainda não se recuperou dos graves ferimentos sofridos no ataque, disse que não deseja o mau do homem que atacou sua igreja, identificado como Jo Bin Muhammad Aceng Kurnia. Ele afirmou à imprensa ser ligado ao Estado Islâmico e já tinha uma condenação anterior por atacar uma catedral.

A tia de Trinity, Roina Simanjuntak, explicou que as famílias não querem vingança e deixam para Deus fazer o julgamento. “Deus nos ensina a perdoar e não a nos vingar”, assegurou ao Jakarta Post.

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