Curiosidade


09/12/2016 | 14:45 | Agências

Cientistas descobrem animal 'bola' nas profundezas do Pacífico

Esses vermes, de acordo com os cientistas, vivem a fase adulta na superfície do mar, alimentando-se dos restos de outros animais, que caem no fundo do oceano

Divulgação


Oceanólogos descobriram um verme incomum no Oceano Pacífico. Por que incomum? Bem, a larva possui apenas cabeça, diz-se em um artigo publicado na revista Current Biology.

"Se você olhar para essa larva, dá a impressão de estar observando um verme adulto que decidiu adiar o crescimento do corpo, desenvolveu demasiadamente sua cabeça, transformando-se em uma "bola" que nada pelo oceano coletando plâncton. Tal atraso no desenvolvimento, provavelmente, é muito importante para a larva, pois [o atraso] possibilita que ela nade em massas de águas profundas", diz o pesquisador Paul Gonzalez da Universidade de Stanford (EUA).

Segundo Gonzalez, a descoberta foi feita quase que por acidente, durante a criação de larvas de diferentes espécies de animais marinhos para avaliar quais delas realizam metamorfose — o processo de transformação da larva em uma forma adulta muito diferente da anterior, cuja estrutura de corpo, estilo de vida e até mesmo o ambiente podem ser opostos.

O oceanólogo disse que, há muito tempo, vem sendo estudada pelos cientistas a hipótese de criaturas marinhas, ao contrário das terrestres, quase sempre se desenvolverem de forma parecida. As perguntas-chave são como e por que eles adquiriram essa capacidade. Já as respostas, segundo Gonzalez, são difíceis de serem desvendadas, pois o desenvolvimento das larvas destes animais-transformers e a busca de seus parentes são tarefas que demandam muito tempo.

Tentando encontrar as criaturas do mar que poderiam ser utilizadas na pesquisa, Gonzalez e seus colegas se depararam com um verme muito incomum, Schizocardium californicum, que habita as águas do Oceano Pacífico, perto da costa da Califórnia.

Esses vermes, de acordo com os cientistas, vivem a fase adulta na superfície do mar, alimentando-se dos restos de outros animais, que caem no fundo do oceano. As suas larvas, que flutuam livremente, como descobriu Gonzalez, são estruturas excêntricas, semelhantes em forma à cabeça do adulto Schizocardium californicum, separada do resto do corpo. A forma diferenciada do corpo e habilidade de natação os ajuda a "flutuar" nas massas de águas profundas e a se alimentar de plâncton.

Isso acontece por uma razão muito simples. Os genes responsáveis pelo crescimento do organismo são "desligados" durante a fase larval do Schizocardium californicum. Quando a larva atinge o tamanho necessário ou obtém a quantidade indispensável de nutrientes, ela realiza metamorfose, fenômeno que a possibilita passar para a fase adulta e crescer uma calda em sua estrutura.

Como os genes do crescimento são incluídos após a metamorfose, os cientistas ainda não sabem. Para desvendar o mistério, os pesquisadores planejam observar o crescimento do Schizocardium californicum e comparar a imagem de atividade dos genes nas suas células levando em consideração o que afeta e quais as partes do DNA são ativadas durante o crescimento de seus parentes mais próximos, vermes hemichordais (Hemichordata), ao crescerem de forma "normal".

Publicidade
Servcon - Contabilidade & Consultoria

0

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site. É vedada a inserção de comentários que contenham palavras torpes e que violem a lei e os bons costumes. O AlagoasWeb poderá retirar, sem prévio aviso, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

Deixe seu comentário