Religião


12/04/2017 | 11:20 | Agências internacionais

Cristã que fugiu da Coreia do Norte arrisca a vida para pregar


Reprodução

Ela foi sequestrada e presa, mas não perdeu a fé


Uma norte-coreana com pouco mais de 40 anos que conseguiu fugir do país mais fechado do mundo, tomou uma decisão radical: voltará para pregar ao seu povo. Em entrevista ao World Watch Monitor, ela contou como conseguiu chegar à China, onde acabou sendo sequestrada e vendida como escrava, e mais tarde foi presa em um campo de trabalhos forçados na Coreia do Norte.

Usando o nome de Myoung-Hee, por questões de segurança, ela relata que hoje vive com sua família na Coreia do Sul. Quando era criança, descobriu que sua família vivia sua fé cristã de maneira clandestina. Uma noite, viu seu pai chorando muito após seu tio ter sido executado por crer em Jesus, junto com outros 10 cristãos. Sua mente infantil acreditava que a fé de seu tio é que causou sua morte e por isso se revoltou contra o cristianismo.

Ao invés de ler a Bíblia como os demais familiares, Myoung-Hee passou a se dedicar aos estudos e lia muitos livros traduzidos do russo, o que gerou nela o desejo de morar fora da Coreia do Norte. Após concluir o ensino médio, decidiu fugir sozinha do país.

Indo até a fronteira com a China, atravessou o rio a nado. Depois, continuou andando até chegar a uma aldeia. Lá foi sequestrada por traficantes de seres humanos e vendida para um fazendeiro chinês, lembra. “Ele não foi tão ruim comigo quanto a maioria dos chineses que compram mulheres norte-coreanas”, explica. “Tive um filho com ele, mas nunca consegui me sentir bem naquela família”.

Sua sogra chinesa tinha hábitos “suspeitos”, saindo frequentemente sem explicar para onde ia. Uma certa noite, Myoung-Hee a seguiu até um local que funcionava como igreja. “Vi que se tratava de uma reunião cristã, algo que me deixou desconfortável, pois sempre fui contra o cristianismo. Porém, dominada pela curiosidade decidi ficar e assistir. Acabei realmente querendo aprender mais sobre Deus”, explica.

A refugiada acabou reconhecendo Jesus como seu salvador e se tornou cristã, resgatando a tradição de sua família na Coreia do Norte. A partir dali, sua vontade de voltar para casa e rever os familiares cresceu tanto que ela convenceu seu esposo chinês a permitir que ela voltasse para sua terra natal. Myoung-Hee sabia o risco que corria de ser pega pela polícia, presa, torturada ou até morta pela polícia.

Acabou sendo presa durante seu retorno para a Coreia do Norte. Quando as autoridades viram quem ela era e de onde vinha, decidiram enviá-la para um campo de trabalhos forçados mais próximo de sua cidade natal.

Sua fé cristã foi fundamental para que ela não perdesse a esperança enquanto esteve presa. Ela sabia que um dia voltaria a se reunir com sua família. Várias vezes lembrou dos versículos bíblicos que havia memorizado sobre confiança em Deus, em especial uma passagem do Salmo 62.

Certa noite os guardas se embebedaram e esqueceram de trancar as portas e surgiu a oportunidade dela fugir daquela prisão.  Ela conta que saiu pela porta e continuou correndo até chegar a uma placa, que  apontava para a região onde ficava sua casa.

Myoung-Hee relata que o momento em que chegou na casa de seus parentes foi uma das experiências mais incríveis que já viveu. “Foi a experiência mais alegre de todas. Estávamos muito felizes em nos vermos novamente”, ressalta. “Pela primeira vez, a família toda adorou a Deus juntos. Eu também participei de cultos domésticos com outras famílias cristãs”.

Após reunir-se com sua família na Coreia do Norte, Myoung-Hee sentiu um chamado para evangelizar seu marido e seu filho que continuavam na China. Embora soubesse que poderia ser presa novamente, decidiu voltar. “Nada poderia pôr fim à minha paixão por Cristo. Meu marido e meu filho também precisavam ouvir o Evangelho”, enfatiza.

No regresso à China, disse que foi abençoada pela ajuda que recebeu de diferentes pessoas ao longo do caminho. Sem passar pela mesma experiencia difícil da primeira travessia, chegou bem até seu antigo lar, onde pregou a seu marido e filho, que também se tornaram cristãos.

“Sei que existem tantos pais cristãos na Coreia do Norte que não podem compartilhar sua fé com seus filhos e isso me parte o coração”, desabafou. “Eu também fui vítima disso, mas graças às orações de outras pessoas, também fui encontrada por Deus”.

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