24/04/2017 | 09:55 | Assessoria

Assessoria

Cultura: exposição homenageia povos indígenas até o dia 5 de maio

Mostra retrata o rito do 'Menino do Rancho' da comunidade Gerinpakó

“Quem não cuida dos seus índios não ama o solo que pisa”. É com essa frase que a fotografa Karla Calheiros descreve uma de suas fotografias, que faz parte da exposição “Gerinpakó – O ritual do menino do rancho”, aberta para visitação no Museu Palácio Floriano Peixoto até o dia 5 de maio.
 
Karla Calheiros apresenta de forma singela seus registros feitos durante o ritual do Menino do Rancho, realizado pelo povo indígena Geripankó, da etnia Pankararu, da aldeia localizada no município de Pariconha, alto sertão alagoano.
 
O rito celebra como forma de agradecimento a cura de alguma doença por um “encantado”, figura central da crença Pankararu, considerado a encarnação dos espíritos protetores da aldeia, que se torna o defensor e dono da criança. Na cerimônia, o menino é colocado no centro do rancho sagrado e cercado pelos praiás (protetores), que disputam com outros homens, para imunização do menino contra os males e sua inserção como membro da sociedade.
 
“Senti a necessidade de disseminar a existência do povo Geripankó através do registro dos seus ritos, das suas manifestações culturais de forma a valorizar a cultura indígena e romper com o preconceito gerado em torno das cerimônias religiosas indígenas”, disse a fotógrafa, na apresentação da mostra, que reúne 23 fotografias.
 
“O meu coração está nessa exposição. O que senti fazendo as fotografias é o quero passar para as pessoas. Como a fé é importante. Essa exposição é justamente sobre a fé, é sobre você acreditar. Cada fotografia foi tirada com muito amor e carinho, mostrando como o povo indígena é importante, que eles ainda existem e que sua cultura é riquíssima”, ressalta.

Os povos indígenas são grande fonte de conhecimento e uns dos principais responsáveis pela formação da cultura brasileira, que é tão diversificada, heterogênea e peculiar. Para Karla, esse valor e importância devem ser destacados. “Devemos valorizar o que a gente tem, porque amanhã podemos não ter mais nada para contar. Se não for passado de geração em geração, vai acabar. A vida está passando e levando os caciques e os mestres. Precisamos refletir sobre o que é essencial na vida, porque bens materiais a vida leva, mas o amor ao próximo e o bem que você planta, ninguém tira de você”, destacou.
 
Mesmo com as interferências do tempo, os índios lutam e resistem todos os dias para permanecerem na terra de seus antepassados, combatendo o preconceito e afirmando o valor de sua cultura. “A gente toma todo dia o espaço deles. Isso daqui é o mínimo que eu posso fazer por eles. Se cada pessoa fizesse um pouquinho, tudo seria diferente”, ressaltou.
 
“Falam que o índio é desconfiado, lógico que são. As pessoas são acostumadas a meter a mão em tudo que é deles. Elas querem que eles abram as portas de suas casas e digam entrem. Não é assim. Para fazer essa exposição, eu não cheguei simplesmente na aldeia e entrei. Eu pedi licença, pedi permissão ao cacique, ao pajé, não podia tirar fotos durante a cerimônia, tinha fotografias que eu não podia tirar durante o ritual. Tive que respeitar, porque sou intrusa. Eles estão fazendo o que sabem, é a cultura deles. Índio né bicho tangível não, eles têm sentimentos também”, frisou.
 
“Pedimos respeito. Somos todos irmãos, o que nos diferencia são as cicatrizes que o homem branco deixou sobre meu povo, mas a gente ergue a mente pedindo força para o grande espirito e dá continuidade a nossa jornada”, disse o cacique do grupo Dzubucuá, Ryaconan, da tribo Kariri Xocó, de Porto Real do Colégio, que visitou a exposição.
 
Geripankó
Localizados no município de Pariconha, os Gerinpakós, da etnia Pankararu, foram os primeiros povos indígenas a reivindicarem o reconhecimento em Alagoas. Segundo historiadores, eles começaram a ocupar a região alagoana no final do século XIX, por meio dos indígenas Zé Carapina e Izabel, que fugidos das tomadas de terras durante o Império e República, formaram uma nova comunidade, distanciando geograficamente e culturalmente dos brancos da região.

Mais Imagens


Leia mais sobre Cultura


Sargento da Polícia Militar de Alagoas lança livro na 8ª ...

Governo do Estado registra dois novos patrimônios vivos d...

Autora alagoana Catarina Muniz lança romance erótico na X...

'As vozes do Forró das Antigas' se reúnem em grande show ...

Artista alagoano está entre os selecionados para a premia...

Alagoana de São Miguel dos Campos é primeiro lugar em Con...

Circuito Musical do Sesc traz grupos de Coco de Roda a Al...

Biblioteca Pública e Projeto Maktub promovem intercâmbio ...

Espetáculo comemora 45 anos do Ballet Emília Vasconcelos

Cantor Fábio Júnior inaugura temporada de shows na Spazio...

Publicidade