Justiça


16/05/2017 | 14:20 | TJ/AL

No banco dos réus, ex-prefeita atribui acusação de homicídio a deputado falecido

“Sempre me dei bem com a viúva e com toda a família”, afirmou a ré durante o interrogatório
 

Caio Loureiro

Ângela Garrote responde a questões de seu advogado; juiz John Silas conduz o júri


A 9ª Vara Criminal da Maceió conduz, nesta terça-feira (16), no Fórum da Capital, o júri popular da ex-prefeita de Estrela de Alagoas, Ângela Garrote, acusada de mandar matar José Roberto Rezende Duarte, em março de 1999. Durante o interrogatório, a ré afirmou que o então deputado federal, Helenildo Ribeiro, hoje falecido, a acusou do crime por motivos políticos.
 
Nenhuma testemunha foi ouvida durante o júri e os debates entre acusação e defesa foram iniciados. De acordo com o juiz John Silas da Silva, que preside o julgamento, a sessão deverá ser concluída ainda no final da tarde.
 
“Eu tenho certeza que essa acusação tem motivação política. É uma pena que quem fez isso comigo, que foi o deputado Helenildo Ribeiro, não está aqui pra responder”, disse a ex-prefeita. Ela afirma que rejeitou apoiar o deputado em uma eleição, o que teria gerado a intriga. Garrote ressaltou ainda que sempre teve bom relacionamento com a vítima e sua família.
 
“Sempre me dei bem com a viúva e com toda a família. Inclusive depois de tudo isso que aconteceu, cuidei da mãe dele”, disse, alegando que levou a mulher a um médico. No depoimento, também relatou que esteve com a viúva na noite da morte, até a madrugada, e no dia do velório.
 
O promotor José Antônio Malta Marques faz a acusação do Ministério Público de Alagoas.  Ele sustentou que não há no processo nada que comprove a amizade entre a família e a ré.
 
“Toda a instrução do processo nos leva à certeza da culpabilidade da ré. Agora, é um processo em que a gente sentia que havia uma contenda entre dois grupos, um liderado pela ré e outro liderado pelo então deputado Helenildo Ribeiro. Enquanto o deputado estava vivo, as provas fluíam de forma robusta e consistente. Com a morte do deputado, as testemunhas começaram a fraquejar, a esmorecer e mudar o tom”, explicou José Antônio.
 
Segundo o promotor, a motivação do crime foi uma discussão em praça pública entre Ângela e Roberto, e também o fato de a vítima ter denunciado a então primeira-dama do Município ao Ministério Público, 15 dias antes do homicídio, que ocorreu no povoado de Canafístula, zona rural de Palmeira dos Índios.
 
O advogado Raimundo Palmeira, defensor da ex-prefeita, argumentou que discussões políticas são comuns no interior e que se todas levassem a homicídios, haveriam milhares. “A vítima chegou a ser opositora de dona Ângela, mas, na época da morte, as testemunhas dizem que o relacionamento entre os dois era normal, amigável”, defendeu.
 
“Se observar direitinho esse processo, o inquérito começa e só após a manifestação de um então deputado federal, quase um ano depois, levantando a possibilidade de ter sido dona Ângela, é que ela vem a cair de paraquedas nesse inquérito”, enfatizou Raimundo Palmeira.
 
A defesa lembrou ainda que o promotor de Palmeira dos Índios, onde o processo tramitava originalmente, chegou a pedir a impronúncia da ré (de forma que a acusada não fosse levada a júri, por falta de indícios). Mas o juiz decidiu pronunciar a ex-prefeita e posteriormente a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas desaforou o processo para Maceió.

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