Laudemiro Rodrigues

Cosmopolita Alagoano

Está chegando a primavera…

Reprodução

Nos últimos dias, a capital iraquiana tornou-se um ponto geoestratégico de grande importância para ajudar a compreender a atual crise política/militar que se alastra entre os Estados Unidos da América e Irã. Os últimos acontecimentos vieram comprovar na prática que nenhuma das duas nações está recuando em seus posicionamentos. Por um lado, a terra de Donald Trump aplica severa sanções econômicas com o país islâmico, fazendo com que uma crise econômica esteja começando a se desenhar pelo Oriente, por outro lado, o poderio bélico iraniano comprovou ser altamente destrutível e ágil. O abate do avião comercial ucraniano (voo PS752) feito de forma rápida e precisa por mísseis iranianos corrobora com a postura vingativa do líder daquele país, que prometera retaliação imediata após o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani por tropas e sobretudo por ordens expressas do presidente americano.

O título deste artigo faz referência aos acontecimentos outrora chamados de “Primavera Árabe”. Para quem não se recorda, o período da Primavera Árabe está relacionado com as enormes manifestações populações daquela localidade, forçando a renúncia/prisão de seus líderes, que ocorreu inicialmente na Tunísia, e que com extrema facilidade se espalhou pela região.

É importante frisar que enquanto escrevo esse texto, milhares de manifestantes estão nas ruas do Irã pedindo punição para os responsáveis pelo abate “enganoso” do avião ucraniano. Ou seja, enquanto centenas de milhares de pessoas foram às ruas para velar e clamar por vingança logo após a morte de seu general, ontem e hoje, uma boa fatia de sua população saiu de suas casas pedindo justiça pela morte das 176 pessoas inocentes que estavam no voo PS752. A unidade popular se perdeu. O país está claramente dividido.

O fogo revolucionário iraniano está aos poucos apagando, e paralelamente, a postura imperialista americana se molda novamente. Tudo caminha para a concretização da narrativa americana: um governo falido odiado pelo seu povo, erros militares imperdoáveis, e uma população clamando pelo afastamento de seus próprios líderes. Por muito menos os Estados Unidos ofertaram sua “busca da democracia” em outras nações.

O comportamento iraniano pode ser compreendido como algo negativo ou a ser rechaçado, porém, se pararmos para pensar no Irã como uma nação independente, autônoma e soberana, não demoraremos a notar que seus interesses estão colocados na mesa e que nações alheias à região estão prontas para influenciar sua população e aliados. Nota-se também o comportamento histórico americano que desde anos atrás busca assumir controle e influência político-militar em países do Oriente Médio. A priori, não existe o certo ou errado, existe o conflito de interesses entre oriente e ocidente.

Enfim, diante dos últimos acontecimentos, o equilíbrio político do governo iraniano desabou, saiu da esfera militar para a esfera democrática, e isso faz com que os olhos mundiais se voltem para Teerã.

Resta saber em quanto tempo os Estados Unidos irão manter sua postura atípica de não-intervenção. A comunidade internacional está em alerta.

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