Raqueline da Silva Santos

EscreveNordeste

Fome – Pobreza – Miséria, Josué de Castro

Reprodução

Quem se preocupa com a fome?

Quem tem medo da fome?

Quem vivencia a fome?
Já parou para pensar que a fome é um problema que pode ser resolvido?
Seu prato hoje esteve cheio?

Você já pensou que tem muitos que não tiveram acesso ao alimento no dia de hoje?

Talvez essas preocupações não fazem parte do nosso dia a dia. Talvez são preocupações que não nos interessa. A correria do dia a dia não nos faz olhar para o lado e perceber que alguém grita, clama pelo direito de comer.

Começo esse texto com questionamentos para que possamos perceber a importância de compreender o mundo em que vivemos, pois o Brasil, é um país subdesenvolvido e a fome está presente.

De acordo com “a estimativa do Banco Mundial, cerca de 5,4 milhões de brasileiros devem atingir a extrema pobreza, chegando ao total de 14,7 milhões de pessoas até o fim de 2020, ou 7% da população” (BDF, 2020). Isso reflete a extrema desigualdade que o nosso território vivencia. É com base no subdesenvolvimento, na desigualdade e na problemática social e econômica que o @escrevenordeste hoje se dedica a memória de Josué de Castro.

O tema que ora introduzimos no presente texto, a fome e a desigualdade social marcaram a vida do autor. Pernambucano, influente médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político e escritor. Foi um autor que fez da luta contra a fome sua bandeira. Começou seus estudos em medicina na Bahia e concluiu seu curso em 1929, na Faculdade Nacional da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro.

Josué de Castro foi um homem de grande humanidade, pois, foi um revolucionário de sua época. Demonstrou através de suas pesquisas que a fome não era um problema de causas naturais, pelo contrário, era uma problemática social e que deveria ser resolvida, com a melhor distribuição de renda na sociedade.

Foi professor livre-docente em Fisiologia, na Faculdade de Medicina do Recife, onde defendeu sua tese com o tema “O problema fisiológico da alimentação no Brasil. Teve um foco muito forte na Geografia Humana e na Antropologia. Josué de Castro tem um marco na disciplina de Geografia, com sua obra “Geografia da Fome”, publicada em 1946 e publicada em mais de 25 idiomas. Foi essa obra que marcou sua carreira, pois foi um dos livros mais conhecidos nacionalmente e mundialmente. Com isso, Josué de Castro tornou-se uma referência no debate sobre as causas da miséria no Brasil e no mundo.

A trajetória de Josué de Castro pode ser lembrada a partir de vários cargos que ocupou em instituições governamentais como:

Presidente do Conselho da Organização para Alimentação e Agricultura (FAO);

Presidente do Comitê Governamental da Campanha da Luta contra a Fome;

Presidente da Associação Mundial contra a Fome (ASCOFAM);

Embaixador –chefe da delegação do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU).

Além da obra “Geografia da Fome” Josué de Castro também publicou outros livros, artigos e ensaios. Das principais obras podemos destacar:

Condições de vida das classes operárias do Recife (1932);

O problema fisiológico da alimentação no Brasil (1932);

O ciclo do caranguejo (1935);

Alimentação e raça (1936);

A alimentação brasileira à luz da Geografia Humana (1937);

Documentário do Nordeste (1937);

Fatores de localização da cidade do Recife (1948);

Geopolítica da Fome (1951);

A cidade do Recife: ensaio de Geografia Urbana (1954);

Ensaios de Geografia Humana (1957);

O livro negro da fome (1960);

Sete palmos de terra e um caixão (1965);

Homens e caranguejos (1967);

A explosão demográfica e a fome no mundo (1968);

Estratégia do desenvolvimento (1971).

Além das obras e dos cargos públicos Josué foi agraciado com vários prêmios como: Pandiá Calógeras (1946); Prêmio José Veríssimo da Academia Brasileira de Letras (1947); Prêmio Roosevelt da Academia de Ciências Políticas dos Estados Unidos pelo livro Geopolítica da Fome (1952); Grande Medalha da Cidade de Paris (1953); Oficial da Legião de Honra da França (1955). Portanto, Josué de Castro tem um marco em vários países devido o reconhecimento de suas obras.

Infelizmente Josué de Castro nos deixou aos 65 anos, em 24 de setembro de 1973. Sua morte foi uma perda para a humanidade, pois Josué foi um grande autor que nos deixou um legado que nos move para lutar contra a fome no Brasil e lutar para diminuir as desigualdades sociais de nosso país.

Estudar é tão revolucionário, que muitas vezes somos impedidos(as) de termos acesso a uma boa educação. É por isso que o @escrevenordeste quer incentivar vocês a conhecerem um pouco do legado de autoras e autores do Nordeste, para você se inspirar e ir além (Por Raqueline da S. Santos).
Fontes: Fundaj; Memorial Democracia; Fundação Perseu Abramo; Centro Josué de Castro; Brasil de Fato.
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