23 de Junho de 2018

Tela Prima

Wanderson Gomes

Ciências Sociais (graduação) e sociologia (mestrado)

Wanderson Gomes | wandersonjfgomes@hotmail.com

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22/02/2018

Pantera Negra é revolucionário

Iniciar minha trajetória neste blog falando de Pantera Negra é uma honra! Não se trata apenas de mais um filme de super-herói da Marvel, que antecede a épica batalha contra Thanos, mas de um filme absolutamente revolucionário, que exalta a representatividade e os valores da cultura negra/africana, questionando fortemente o poder ocidental estabelecido no mundo. Comecemos o Tela Prima chutando a porta! Boa leitura.

Os acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil (2016) fazem de T'Challa (Chadwick Boseman) o novo rei de Wakanda, um reino fictício localizado na África. Sob a responsabilidade de proteger o país e sua alta tecnologia, o herói assume o manto dos Panteras Negras e também seus poderes místico-tecnológicos, atuando enquanto guerreiro contra as forças opostas que insistem em desvendar os mistérios do país, além de enfrentar conflitos políticos que carecem de firmes decisões em prol de seu povo.

Pantera Negra (2018), dirigido por Ryan Coogler é um filme que eleva o patamar da aclamada "fórmula Marvel" de fazer cinema. Uma mistura de ingredientes satisfatórios que ganha a cobertura de uma trilha sonora avassaladora, contando com músicas tribais africanas e rap contemporâneo. A ação frenética está presente, os alívios cômicos são pontuais e caem como uma luva, pois são usados na quantidade correta. Também vemos um forte discurso político, o que faz desta produção a mais politizada (de longe) e de maior profundidade.

Embora herói e vilão, é difícil não se compadecer com os ideais tanto de T'Challa quanto de Erik Killmonger (Michael B. Jordan, Creed: nascido para lutar, 2015), o que dá mostras de um filme que se arrisca a apresentar importantes conflitos sociais ainda tão presentes na atualidade, não se privando em nenhum momento do papel de ser porta-voz de uma causa, embora não seja descaradamente panfletário. Esta relação entre T'Challa e Killmonger é a melhor relação herói-vilão criada pela Marvel nos cinemas, com encaixes perfeitos e explorada nos limites certos. As mulheres também estão presentes de forma intensa e são decisivas aos acontecimentos. Destaque especial para as atuações de Lupita Nyong'o (Nakia), Danai Gurira (Okoye) e Letitia Wright (Shuri). Assumindo um papel vilanesco de menor expressão, Andy Serkis (Garra Sônica) desliza à vontade pelo papel e também merece destaque.

O impacto deste filme segue superando as expectativas. Continua sendo merecidamente reconhecido por público e crítica, somando notas máximas nos principais portais de cinema. O filme alcançou marcas impressionantes e, somando US426,6 em bilheteria geral até o presente momento, já fica à frente de toda a arrecadação de outros filmes da Marvel, como Capitão América: o primeiro vingador (2011) e O incrível Hulk (2008). Isso tudo sem sequer ter estreado em mercados altamente lucrativos, como China e Japão.
 
Pantera Negra é fruto de um novo momento em Hollywood. Se insere num contexto de fervorosos protestos contra os abusos sofridos pelas atrizes hollywoodianas e acompanha o caminho do sucesso atingido por Mulher-Maravilha (2017), heroína feminina da DC Comics, dirigido também por uma mulher, Patty Jenkins. O filme, que relata a transição do príncipe T'Challa ao reinado de seu país, só peca no terceiro ato, com efeitos visuais pouco convincentes. Visto a mensagem que este longa passa, seu papel politicamente ativo e toda a qualidade que envolve a construção de personagens em sua diversidade, os breves deslizes visuais são facilmente desconsiderados. 

Vá correndo para o cinema e leve toda a família. 

Até a próxima!

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