23 de Junho de 2018

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Wanderson Gomes

Ciências Sociais (graduação) e sociologia (mestrado)

Wanderson Gomes | wandersonjfgomes@hotmail.com

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08/03/2018

O protagonismo feminino no cinema e porque isso nos interessa

Os discursos presenciados na premiação do Oscar 2018 em defesa da oportunidade e valorização do trabalho feminino no cinema apenas reforça uma profunda reflexão que vem tomando, nos últimos anos, centralidade na sociedade como um todo, graças as incansáveis lutas promovidas por diversos segmentos dos movimentos sociais.

Um dos maiores reflexos recentes desse debate, Mulher-Maravilha (2017), filme protagonizado por Gal Gadot e dirigido por Patty Jenkins, foi sucesso absoluto de bilheteria e inspirou novos caminhos. O destaque da heroína da DC foi devidamente merecido não apenas pela qualidade indiscutível da trama, mas pelo protagonismo feminino. Uma mulher salva o dia, sem depender da tomada de decisão do homem, traço característico do cinema desde os primórdios.
 
Outro forte exemplo desse processo de transformação é o filme Pantera Negra (2018), de Ryan Coogler, que cumpre com maestria o papel de mostrar mulheres como guerreiras principais e guardiãs do reino de Wakanda, tal qual as amazonas na Ilha de Themyscira (terra de Diana, nossa Mulher-Maravilha). Sem falar de Shuri (Letitia Wright), que controla toda a tecnologia do lugar, a mais cobiçada do mundo.  

Entre as brilhantes mulheres vencedoras do Oscar deste ano, há uma forte atitude contra a falta de ampliação das oportunidades para o mercado de trabalho em Hollywood, seja para atrizes, produtoras, diretoras, roteiristas, dentre outras, e que também reflete (felizmente) que estamos no centro de um vulcão ativo de mudanças, lidando com um debate inesgotável e em vias de transformações ainda mais significativas.

Por fim, um aspecto interessante desse momento é a diminuição da objetificação feminina em filmes, séries e games, reforçado por personagens-mulheres bem trabalhadas e de maior profundidade de conteúdo, como a atual Tomb Raider, que esse ano sai dos games para os cinemas na pele de Alicia Vikander (vencedora de Oscar). Essa figura se opõe completamente ao costumeiro papel de coadjuvante exercido, geralmente em assistência aos personagens masculinos, "tomadores de decisões" e "solucionadores dos problemas".

É verdade que há um longo caminho pela frente em Hollywood (e na sociedade), seja com investigações mais intensas nos casos de abuso sexual que pipocaram nos últimos anos, no combate ao machismo que sai do set e se estende aos contratos e seus salários desiguais entre gêneros, dentre outros fatores. Mas sim, as coisas estão mudando. O exemplo mais forte dessas reivindicações é Lauren Cohan, a Maggie de The Walking Dead, que pode vir a deixar a série por não concordar com o salário que recebe.

Bônus: Sai Kevin Spacey e entra Robin Wright. Esses dias a Netflix lançou um teaser em que Robin Wright (Claire Underwood) aparece na cadeira presidencial dos Estados Unidos. Coincidentemente, a mesma Robin Wright, tia de Diana em Mulher-Maravilha. Sim, uma amazona. Coincidentemente, a mesma Robin Wright que lutou para equiparar seu salário ao do ex-companheiro de trabalho. Toma agora o seu lugar para a última temporada de House of Cards.

O mundo está mudando, o cinema também, isso é bom.

Qual sua opinião sobre o maior protagonismo das mulheres no cinema?

Bons filmes para você e até terça que vem!

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