23 de Junho de 2018

Tela Prima

Wanderson Gomes

Ciências Sociais (graduação) e sociologia (mestrado)

Wanderson Gomes | wandersonjfgomes@hotmail.com

Artigos populares

14/03/2018

Não dá pra entender

Estava assistindo Mãe! (2017) e minha cabeça, claro, bastante confusa até os últimos minutos de filme, quando a impaciência falou mais alto. "Me rendo!", pensei. Peguei o celular, comecei a pesquisar algumas teorias e, a partir daquele momento, tudo faria sentido. Imediatamente, fiquei comovido pela originalidade de Darren Aronofsky em contar aquela história, daquela forma tão original, nada convencional e bastante arriscada. Mesmo me entregando aos diversos posts explicando a ideia central da trama (por não fazer ideia alguma do que estava acontecendo), não vou dar spoilers aqui, óbvio. Especialmente porque o impacto do filme merece ser degustado em caráter particular.

O que posso dizer é que Mãe! é sufocantemente bom. Conta a história de um casal, protagonizado por Jennifer Lawrence (Veronica) e Javier Bardem (Him), vivendo juntos e reclusos numa enorme casa, até que convidados começam a surgir de todos os lados, afetando a privacidade do casal e alterando drasticamente o funcionamento do lar (que é uma personagem importante para a história, vale dizer).

Mãe! é de prender a respiração. Não entendia até onde chegaria a cara de pau dos convidados que se amontoavam pela casa, nem a falta de atitude de Him diante das circunstâncias invasivas, além de não aceitar a apatia de Veronica, sempre submissa aos interesses do marido escritor e frágil no decorrer das mudanças que se desenvolveram ao longo das 2 horas de tela.

O que mais eu não entendia e ainda não entendo é como o filme de Aronofsky encabeçou a lista dos indicados ao Framboesa de Ouro 2018, prêmio dedicado aos piores filmes, após um total esquecimento por parte do Oscar. Posteriormente, no dia 03 de março, foram divulgados os vencedores do Framboesa, conquista nada honrosa. Confira a lista completa no site do IGN Brasil, clicando no link abaixo: http://br.ign.com/cinema/59379/news/conheca-os-vencedores-do-framboesa-de-ouro-2018

Javier Bardem conquistou o prêmio de pior ator coadjuvante. Jennifer Lawrence, pior atriz. Darren Aronofsky, pior diretor. Aqui, Mãe! seria aquele gênio incompreendido.

Há quem encare a premiação como ela realmente é: uma brincadeira. Há quem leve a sério, fazendo duras críticas às injustiças de Hollywood. O fato é que a originalidade e ousadia de Mãe! não podem ser elementos desconsiderados face ao esquecimento que ocupou desde seu lançamento. Filmes complexos estão perdendo espaço, isso é fato. E entender Aronofsky numa tacada só não é missão simples. No Festival de Veneza, por exemplo, a trama foi intensamente vaiada por pessoas que não conseguiam perceber os encaixes. Longe dos holofotes e sem disposição para vaias, resolvi dar uma espiadinha no Google. Me encantei. Há uma forte crítica neste filme, que perpassa filosofias fundamentais para o desenvolvimento dos valores da humanidade (sobretudo ocidental), uma discussão de abuso, poder, gênero e fé.

Por tudo isso e ainda mais, Mãe! merecia não ser esquecido. Pelo menos não antes de ser compreendido.

E você, assistiu Mãe!?

Até a próxima!

Assine e receba as últimas notícias do Alagoas Web