23 de Julho de 2018

Tela Prima

Wanderson Gomes

Ciências Sociais (graduação) e sociologia (mestrado)

Wanderson Gomes | wandersonjfgomes@hotmail.com

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22/03/2018

Tela Prima entrevista: Ailton da Costa

Olá, queridas e queridos leitores! É com muito orgulho que iniciamos uma nova etapa do Tela Prima. Realizaremos entrevistas com pessoas fortemente envolvidas com o cinema. Para começar, não poderíamos ter escolhido melhor nosso convidado. O professor Ailton da Costa é alagoano, graduado em História, mestre em sociologia e compartilha com ambas as áreas o seu vigor cinematográfico, desenvolvendo uma densa pesquisa acadêmica. Além de atuar cientificamente para compreensão deste universo tão amplo, Ailton também é diretor, produtor, roteirista... Não faltam atributos à sua carreira. Por isso, convido vocês para este bate-papo, onde buscaremos compreender os principais elementos que compõem a trajetória de um apaixonado pela sétima arte e como se dá sua atuação no contexto alagoano. Além disso, suas respostas estão carregadas de dicas de produções cinematográficas que valem ser posteriormente consultadas por todos nós.

Sejam muito bem-vindos ao Tela Prima entrevista!

1. Onde você reside atualmente?
R: Eu resido em Palmeira dos Índios, que é também a minha cidade natal. Sou professor universitário e me alterno em viagens entre Palmeira e Arapiraca.

2. Como o cinema passou a fazer parte da sua história de vida? Destaque os principais elementos de sua trajetória.
R: O meu gosto pelo cinema começou com meu pai. A influência de meu pai quando criança sempre foi basilar, e eu comecei gostando de “Western”, papai sempre foi fã de John Wayne, ele chegava a dizer antes de ver um filme dele: “Você não pode dizer que gosta de cinema se você não conhece os filmes de John Wayne!” (risos). O primeiro diretor que me fascinou foi Sergio Leone com aqueles “Westerns spaghetti”, e como eu me recordo de Três Homens em Conflito (The Good, The Bad and The Ugly), impossível esquecer esse filme (risos). A medida que eu crescia ia percebendo que os estilos eram extremamente variados, o cinema nacional foi apresentado a mim através da família do meu pai, na figura de um filme chamado Vidas Secas, no qual parte da família havia participado em algumas filmagens no município de Minador do Negrão na década de 1960. Foi através desse filme que eu procurei entender Glauber Rocha (que tarefa difícil), Nelson Pereira dos Santos, Anselmo Duarte, entre outros diretores nacionais. A semente do cinema já havia sido plantada no meu subconsciente e se intensificava a cada dia, é impressionante falar disso agora, eu vejo com mais clareza que esse interesse é mais forte do que muitas coisas em minha vida (risos), talvez seja uma doença (risos).

3. Quais os gêneros cinematográficos que mais atraem você?
R: Sobre gêneros, depende muito do estado emocional de cada um, você pode dizer quando está mais alegre que prefere uma comédia pastelão, ou quando se está muito triste, para ficar mais animado. Eu sempre gostei de dramas, independente do meu estado emocional, eu os acho mais complexos, é por isso que Ingmar Bergman é o meu diretor favorito, ele foi um dos maiores roteiristas do mundo e eu sempre gostei muito dele. O gênero Western é também marcado por mim, eu poderia citar Rastros de Ódio, Três Homens em Conflito, Meu Ódio Será Sua Herança. Com relação ao cinema de horror e fantasia, bom, eu não citei na pergunta anterior, mas José Mojica Marins é um gênio, os filmes do saudosíssimo “Zé do Caixão” são maravilhosos, os quais eu acompanhei pela primeira vez nas tardes da rede bandeirantes (risos), dentro dessa vertente eu posso citar também Dario Argento e Lucio Fulci. Os filmes do gênero Gangster/Máfia são também escolhidos por mim na hora de escolher um filme e é claro que eu tenho que citar a maior trilogia da história, que é basicamente uma aula de cinema, O Poderoso Chefão.

4. Liste para nós alguns dos filmes que definitivamente marcaram sua vida.
R: Cara... Essa foi a pergunta mais complicada (risos). Eu sou uma síntese de vários filmes, cada filme tem um ensinamento, uma cena, uma fala, uma música da trilha que você guarda para sempre. Eu vou marcar os dez primeiros, mesmo sendo muito difícil para mim (risos): 1 – O Poderoso Chefão Part. I 2 – O Sétimo Selo 3 – O Pagador de Promessas 4 – O Poderoso Chefão Part. II 5 – As Luzes da Cidade 6 – O Silêncio dos Inocentes 7 – O Exorcista 8 - Blade Runner 9 – Cinema Paradiso 10 - Três Homens Em Conflito

5. Há atores, atrizes, diretores ou diretoras que se pode elencar como admiráveis para você?

R: E eu que pensei que as perguntas difíceis haviam acabado (risos), farei uma lista também: 1 – Ingmar Bergman 2 – François Truffaut 3 – Stanley Kubrick 4 – Nelson Pereira dos Santos 5 – Frank Capra 6 – Sergio Leone 7 – David Lynch 8 – Martin Scorsese 9 – John Ford 10 – Andrei Tarkovsky Também admiro o trabalho de Sofia Coppola. Com relação a atores eu vou citar Charles Chaplin, que pra mim foi um dos maiores atores da história, revolucionou o cinema sem dizer uma palavra, extremamente corpóreo. Encabeçando essa lista ainda tem um dos maiores atores nacionais e o meu favorito, conterrâneo também, Jofre Soares, sempre o admirei por ele ter começado a carreira como ator já na casa dos 40 anos e por ter trabalhado com todos os grandes cineastas brasileiros do Cinema Novo. Seguindo essa lista tem John Wayne, lógico, (risos), Clark Gable, Cary Grant, Sidney Poitier, James Stewart (imortal), Clint Eastwood, Anthony Hopkins, Sean Penn, Max Von Sydow, Javier Bardem. Tem muitos outros atores que admiro muito, mas a lista seria muito grande. Quanto as atrizes vou colocar primeiramente Audrey Hepburn, seguida de Katharine Hepburn (outra Hepburn, risos), Juliette Binoche, Ingrid Bergman, Elizabeth Taylor, não posso deixar de falar também de Fernanda Montenegro, sempre admirei o seu trabalho e, sobretudo a sua sensibilidade em envolver-se com o personagem.

6. No quesito "ficção", há personagens que não saem da sua cabeça?

R: Existem vários personagens que foram tão intimamente vividos por atores e atrizes que se tornaram reais, e é basicamente esse o poder do cinema, o de tornar real. Lembro sempre de Michael Corleone na trilogia O Poderoso Chefão e do fato de ele não desejar participar dos negócios da família, só que ele acaba sendo o condutor e chefe da organização (sendo extremamente cruel no futuro, abandonando a postura de bom moço), sempre gostei do amadurecimento desse personagem que o conduz a tragédia. Outro personagem que sempre marcou a minha juventude desde que o assistia nas tardes de cinema da TV aberta foi Forrest Gump, porque a consciência inocente dele é como a de uma criança que observa o mundo (e nesse sentido todos os grandes acontecimentos históricos da América em um recorte temporal), as reações dele são completamente sensíveis, ele não julga, pelo contrário, ele é apenas sentimento, o coração de uma criança aprisionado em corpo adulto. A lista de personagens que sempre gostei e gosto no cinema é gigante (risos). Não poderia deixar de mencionar “Toto” de Cinema Paradiso, esse personagem é simbolicamente muito importante pra mim pelo conjunto situacional ao qual o mesmo é apresentado no filme de Giuseppe Tornatore, porque são poucos os filmes que transpassam essa magia que existe na projeção de um filme, e sentimos isso através da amizade de uma criança com um velho projecionista.

7. Em sua visão, quais barreiras um entusiasta da sétima arte tem de enfrentar no estado de Alagoas para se envolver com esta produção? E, principalmente, por onde começar?

R: Um das principais coisas que se aprende quando se pretende mergulhar na produção de cinematográfica é que o cinema é uma arte, cara (risos), dependendo do que se deseja fazer. As pessoas que se metem a fazer cinema são sempre pessoas apaixonadas pela sétima arte, cinéfilas em sua completude, e somos inspirados por grandes obras do cinema, grandes atores e diretores (as), demora um pouco pra se amadurecer e perceber que a realidade em que vivemos é diferente, bem como o mercado audiovisual. Eu sempre tive um lema desde quando despertei nesse quesito, eu tenho que escrever roteiros filmáveis (risos), sempre fui um realizador adepto do baixo orçamento, o primeiro edital que ganhei foi em 2012, da Secult-AL, premio de incentivo a produção audiovisual, venci como diretor estreante com uma ficção chamada Sobre Relógios, Sonhos e Liberdade, na época o valor de financiamento era R$ 20.000, realizei o curta-metragem em Palmeira dos Índios, com a minha antiga equipe do cineclube Lampião Cultural, passamos por muitos problemas durante as filmagens e na pós-produção, não tínhamos amadurecimento quanto a fabricação de um produto audiovisual, mas mesmo a duras penas conseguimos concluir a sua feitura. O que eu posso afirmar diante do que passei e passo na tentativa constante de produzir alguma coisa nova é que os editais são maravilhosos, quando existem e quando pagam realmente (risos), mas se não tem edital não tem problema, sempre tem equipamento que seja simples e que permite realizar alguma produção de pequeno ou médio porte, sempre tem um amigo que tem um computador veloz no qual você pode editar, inserir o áudio, você tem inúmeros meios hoje de captar as imagens que deseja, o que eu tento dizer é que você não deve deixar de lado aquela historia que você escreveu e depositou tanto entusiasmo por falta de um recurso financeiro que na maioria das vezes não vem, você deve filmar! Você deve produzir! É dessa forma que se busca uma amadurecimento e consequentemente a felicidade de um produto finalizado.

8. Qual o diagnóstico que você pode fazer das atuais políticas de fomento ao cinema nacional?
R: Nosso país vem passando por muitos problemas no sentido politico e econômico, “São tempos difíceis para os sonhadores”, já dizia Amélie Poulain (risos), mesmo tendo gerado uma renda desde 2014 que chega a R$24,5 bilhões, há muito a se trilhar para se poder financiar e criar um mercado sólido. A internet dinamizou as plataformas de vídeo, as novas gerações tornaram-se fãs da Netflix e da facilidade de se acompanhar uma serie exibida em um meio de comunicação que não é a TV, você pode ver no seu celular, cada jovem hoje tem em média duas ou três series que podem ser produções alemãs, espanholas, americanas ou brasileiras entre as suas preferidas, e todas essas pessoas tornaram-se críticos de cinema, com uma visão sobre o enredo, sobre a técnica em si de cada trama. O streaming revolucionou o audiovisual, é inegável. Sobre o incentivo à produção nacional, existem muitos editais no Brasil que oferecem valores interessantes para o financiamento de produções, desde curta metragens até longas metragens, como alguns prêmios oferecidos pela própria ANCINE, os requisitos burocráticos para a inscrição é que as vezes são confusos, e acaba afugentando jovens interessados em inscrever seus projetos, mas eu acredito que o amadurecimento da interpretação da linguagem fílmica no nosso país já esta avançado, estamos aos poucos entendendo a complexidade de uma arte que era tida como mera representação artística efêmera e passando a endente-la como uma obra de arte complexa e singular.

9. Recentemente tive acesso ao seu excelente artigo publicado na revista Sinais (UFES), que reúne temas pertinentes às Ciências Sociais. Intitulado "A linguagem cinematográfica como instrumento interpretativo da realidade social", você propõe a mesma aproximação entre ficção e realidade que a Sociologia da Literatura estabelece. Qual o exemplo mais característico para você desse diálogo entre filmes e vida real?
R: É como eu sempre digo, quando eu não estou pesquisando sobre a expressividade do cinema enquanto arte ou filmando alguma coisa, eu estou assistindo algum filme (risos). Todos os meus projetos tanto durante a minha graduação quanto ao mestrado destinaram-se a investigar o universo especifico do cinema, na minha graduação em História o titulo de meu TCC foi “O Filme Vidas Secas e sua Relevância Histórico Cultural: Reconstrução da Memória Cinematográfica”, no qual eu desenvolvi uma investigação no interior de Alagoas nos locais que serviram de palco para as filmagens do filme Vidas Secas de Nelson Pereira dos Santos, minha investigação me levou ate o mestrado em sociologia quando eu tive interesse em entender o perfil social dos cineastas do Cinema Novo brasileiro e ate que ponto os “não atores” (pessoas comuns sem formação artística) ajudaram na elaboração do filme Vidas Secas, daí surgiu minha dissertação “O Filme Vidas Secas e sua Relevância Histórico Cultural: Reconstrução da Memória Cinematográfica”. Meus artigos acompanham o mesmo sentimento, uma busca incessante pela melhor forma de entender a configuração de uma realidade específica por meio de uma linguagem que nos é apresentada através da imagem em movimento, eu acredito que o cinema é o zipar de nossa realidade, apresentando o detalhe escondido e não notável, sem perder a emotividade momentânea, traduzindo e transportando por meio de seus símbolos uma nova configuração do real.

10. Quais os temas presentes na sociedade que ainda carecem de maior diálogo com o cinema?
R: Eu sou adepto da filosofia que diz que o cinema deve incomodar e inspirar o seu público, a sua complexidade deve ser revelada para se tornar traduzível, e diretamente proporcional aos anseios do público, o cinema é a tentativa de ver a nós mesmos em camadas. Os temas que vemos hoje na grande tela exploram questões de gênero, sociais e politicas, como nunca antes vistas, eu acho que essa evolução se deu com algumas correntes jovens, que promoviam uma nova estética. Eu acho que nós já temos esse montante de temas diversos, eu falo como uma pessoa que gosta de explorar o cinema de várias culturas, cinema iraniano, indiano, por exemplo, com temas e formas de criar as histórias que são bem particulares. Em se tratando de produções nacionais eu gostaria de ver mais temas de cunho social e político, a maioria das produções que vemos hoje são comédias bobas que destinam-se a empobrecer um público que carece de um chacoalhar pra poder se autocompreender, como se fosse uma retomada do cinemanovismo brasileiro, com aquela proposta de mostrar o Brasil ao brasileiro.

11. Muito se fala do público atualmente e suas exigências. Os filmes do gênero super herói, por exemplo, quebram recordes de bilheteria a cada dia, alcançando faturamentos assustadores. Uma fonte que parece inesgotável. Nessa relação público x cinema, quem prevalece? Quem molda quem? Existe maior poder nessa relação ou eles se complementam?
R: Eu sou fã de quadrinhos, um fã da nona arte, sempre gostei do Batman, escrevi até um artigo sobre um dos meus quadrinhos favoritos “A piada mortal”, eu intitulei de “Histórias em quadrinhos como fonte de pesquisa: uma análise sócio-histórica acerca do graphic novel Batman: a piada mortal”, é uma história que mexeu muito comigo desde que a li quando criança, só vim ter a dimensão do que Alan Moore estava propondo nela depois que fiquei mais velho. Eu particularmente vejo o universo dos quadrinhos transmutado para o cinema de forma meio banalizada, tornou-se extremamente lucrativo o gênero “herói”, atinge diretamente uma faixa etária baixa e assim o público aumenta, não que não tenham grandes histórias que mesclem elementos estéticos e filosóficos em sua totalidade, mas a proposta não é essa, são enlatados (blockbusters) e máquinas de fazer dinheiro, e é infinito o que se pode criar dentro desses universos. A mentalidade americana do “poder com responsabilidade” é muito antiga, fruto de uma sociedade que adora o messianismo, por isso as criação de tantos heróis e heroínas que defendem um mundo que é governado pelos EUA, tudo com a representação de um discurso patriótico, eles sentem a necessidade de serem como que os guardiões do mundo e do “estilo americano de vida”. Por outro lado o que dizer de uma criança que tem como padrão de comportamento os ideais de um herói? E que quer agir ajudando as pessoas? Que entende ate que ponto ela pode ser a diferença? Eu poderia citar o cinema “anti-herói”, igualmente interessante, se você pegar perfis como o do Deadpool ou John Constantine da Hellblazer, ambos anti-heróis que acabam fazendo o que é certo (ou o que a maioria acha que é certo), mas que não definem suas condutas por meio do caráter pessoal ou uma base moral. Essa pergunta que você fez é realmente muito complexa, eu gosto de pensar na figura do Chapolin (um dos meus primeiros heróis) criado pelo Roberto Bolaños que é basicamente uma paródia do Super-homem. É muito fácil você ser imortal, poder voar, ter força descomunal, ser bonito, dotado de extrema coragem e a partir desses dotes ajudar a humanidade, mas e quando você é feio, de estatura mediana, fraco, covarde e burro e mesmo assim faz o que é certo? Unicamente por você ter um coração nobre, por isso o coração estampado na roupa do Chapolin, talvez ele tenha o que pra muitos cheios de superpoderes pareça efêmero, sendo a coisa mais valiosa.

12. Qual a melhor(es) experiência que o cinema te proporcionou?
R: Sintetizando em uma experiência macro (se é que é possível), o cinema sempre me possibilitou ver a existência da realidade de forma pessoal, não são as histórias, não são os personagens ou o que se aprende com eles, mas um sentimento de criação de uma coisa que não é imitação da vida, que é vida! Porque a sua mente torna o que você vê real, os sentimentos que temos, como ódio, amor, medo e alegria acontecem no acompanhar da trama fílmica, que chamamos de ficção, mas o que você sentiu não foi ficção, foi real, a sua mente entendeu como real. Todas as experiências que se tem com um filme são reais, chamamos de sétima arte sem compreender que ela juntou todas as outras artes em uma só, ela absorveu o que de mais singular existia na humanidade que é a sua capacidade artística, nós somos conseguimos lembrar de um povo através de seu conteúdo artístico, o que foi deixado como arte, o cinema transformou-se na ferramenta memorialística mais excepcional de todas.

13. Mesmo entendendo o cinema como uma experiência única, íntima/individual, como ampliar o consumo de filmes na sociedade? Visto também sua importância educativa. Como Alagoas produzirá mais cinéfilos?
R: Uma coisa que mencionei anteriormente foi a supremacia hoje das plataformas em vídeo, a funcionalidade do streaming mudou a forma de ver cinema, a tela do celular criou um novo espaço, o que era visto na grande tela agora pode ser visto na palma da mão. Nos últimos anos acompanhamos algumas discussões acerca do tipo de plataforma para se ver um filme, alguns diretores de cinema que pertencem a grandes estúdios chegaram a dizer que assistir um filme no celular não tem sentido algum, que eles devem ser vistos no cinema, com todas as convencionalidades. Eu sou totalmente a favor da utilização de qualquer meio de comunicação que permita uma experiência que promova crescimento intelectual, sobretudo em termos de arte, o cinema não tem fronteiras, nem cor de pele, nem religião, ele faz parte da nossa essência enquanto seres humanos que dependemos de nossa imaginação para externalizar sentimentos. Como professor eu sempre utilizo fragmentos de filmes para dar suporte metodológico ao assunto que quero tratar, trabalho uma disciplina optativa de “cinema e direito”, nos cursos que leciono e sempre que posso ofereço também minicursos sobre a temática “cinema na contemporaneidade”. Nosso Estado é riquíssimo, de forma natural, histórica e social, somos portadores de raízes que dizem respeito a cultura africana e indígena, nossas festas e festejos são nosso cartão postal, eu sonho com um crescimento em termos de audiovisual, com a criação de um curso na UFAL, com o circuito de Penedo se estendendo ate outras cidade, enfim, com uma evolução dessa arte tão importante para todos nós que é o cinema, sua produção e difusão.

14. Por fim, quais os próximos caminhos que você pretende trilhar dentro do universo cinematográfico?
R: Eu estou com vários projetos, coisa de quem sofre de insônia (risos). Tem alguns editais que estou concorrendo que tem resultado ainda esse ano, estou envolvido com a pós-produção de um curta-metragem de ficção realizado em Palmeira dos Índios, eu havia escrito o roteiro tem alguns anos e tive interesse em produzir, as filmagens aconteceram ano passado em uma antiga fabrica de algodão, o nome do curta é “O Viajante das Ruínas”, tem como pano de fundo a ideia de viagem no tempo e um futuro pós-apocalíptico, o personagem central da trama viaja pelo tempo a fim de definir os percursos que levaram a aniquilação das populações. Tem uma temática bem filosófica, quase tarkoviskiana. A temática “fim do mundo” sempre me atraiu (risos). No mais eu estou sempre produzindo filmes, com orçamento ou sem orçamento, porque se eu não produzir a ideia acaba explodindo na minha cabeça (risos), a única forma de viver é externalizando a ideia em forma de imagem em movimento, cada um com a sua doença ou obsessão pessoal, a minha sempre foi o cinema.

Quem podemos convidar para a próxima edição do Tela Prima entrevista?

Obrigado pela leitura e até quinta!

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