26 de Maio de 2018

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Wanderson Gomes

Ciências Sociais (graduação) e sociologia (mestrado)

Wanderson Gomes | wandersonjfgomes@hotmail.com

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11/04/2018

Nem Natalie Portman salva

Olá, caros leitores e leitoras
 
Inicialmente, gostaria de me desculpar pela última semana sem as postagens de terça e quinta, foram dias difíceis, daqueles em que pouco se dorme. Esses dias culminaram com os recentes acontecimentos políticos em nosso país, fazendo com que eu ficasse bastante atento. Por isso, não vi muitos filmes, preferi acompanhar o desenrolar do roteiro e dos fatos desse blockbuster confuso chamado Brasil, sobretudo do ponto de vista sociológico.

Mais pra frente, tentei fugir da realidade novamente me voltando aos filmes, escolhi uma trama de ficção científica. Não existe nada mais prazeroso que assistir (e gostar) de um filme de ficção científica, primeiro porque eles nos oferecem uma interpretação alternativa da realidade, porque exageram em cenários, perspectivas; segundo, porque nos apresentam teorias, filosofias, informações adicionais da origem da vida humana e, quando bem elaborados, nos fazem parar e pensar: "cara, isso é mesmo ficção?". Filmes bons me fizeram acreditar em zumbis, em aliens e até que estamos vivendo na Matrix. Infelizmente, nem todos provocam essa sensação de abertura da mente para novas dimensões... Alguns até se esforçam, mas não atingem os resultados exitosos que esse gênero fantástico consegue oferecer como nenhum outro.

Logicamente, estou falando de um filme específico, Aniquilação (2018), produzido pela Netflix após fazer negócio com a Paramount pelos direitos autorais. A trama, baseada no livro de Jeff VanderMeer, é dirigida e roteirizada por Alex Garland, elogiado diretor de Ex Machina (2014). Aniquilação é protagonizado pela excelente Natalie Portman, que vive Lena, uma talentosa bióloga que começa a se envolver num projeto secreto com outras cientistas buscando respostas para o que aconteceu com seu marido (interpretado por Oscar Isaac), após este não retornar de uma missão militar de reconhecimento.

Shimmer está localizado ao sudeste dos Estados Unidos e é o objetivo dessa operação. Lá acontecem estranhos fenômenos que vêm alterando geneticamente plantas e animais. Esperava-se um ambiente amplamente fantástico, contrastando com o característico suspense do desconhecido. Até que o filme se esforça, mas não flui como deveria. Algumas criaturas são apresentadas, plantas geneticamente modificadas formam o cenário deslumbrante e novas teorias sobre a criação da vida são fortalecidas, mas nada que nos encante à altura da expectativa que foi criada antes do lançamento. Natalie Portman é uma grande atriz! Depois de Cisne Negro (2010), não há mais discussão sobre esse fato. Faz uma atuação destoante se comparada aos demais companheiros e companheiras de trabalho, mas isso não ajuda em nada na profundidade do roteiro, que não desenvolve personagens ou acontecimentos de maneira eficiente. Para completar, a relação amorosa atrapalha o interesse e me fez imediatamente voltar os olhos outra vez para a realidade, porque Alex Garland, aqui, ficou sem graça.

Resta dizer que o que Aniquilação entregou é apenas 10% de sua capacidade. Até ser confirmada ou não uma continuação, poderia assumir um posto importante, de nova ficção científica do momento, já que até Alien não está com essa bola toda, com seu Alien: Covenant (2017) que dividiu opiniões. Ouvi dizer por aí nas esquinas e botequins que a produção do filme chiou bastante pela venda dos direitos à Netflix, pois o espetáculo visual seria muito mais robusto na tela do cinema. Concordo plenamente com essa discussão, pois perde-se a qualidade da imagem, amplitude e profundidade, mas precisamos concordar também que produções via streaming democratizaram o acesso a ótimos filmes e séries ao grande público, sobretudo num contexto brasileiro de supervalorização financeira dos ingressos de cinema, da pipoca e do refri, o que é um absurdo! Seja na Netflix ou cinema, Aniquilação comete muitas falhas e seu problema está longe de ser puramente visual.

E você, assistiu Aniquilação? O que achou?

Até a próxima!

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