25 de Junho de 2018

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Wanderson Gomes

Ciências Sociais (graduação) e sociologia (mestrado)

Wanderson Gomes | wandersonjfgomes@hotmail.com

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13/04/2018

Cinema e ditadura

O atual cenário político brasileiro não é nada bom. E vamos gradualmente nos aproximando de tempos cada vez mais sombrios, nos deparando incrivelmente com discursos favoráveis aos militares e uma intervenção a nível nacional.

Pensando nisso, é preciso lembrar que, na ditadura militar iniciada em 1964, o cinema era ferramenta decisiva, servindo aos propósitos dos que ocupavam o poder. A indústria cinematográfica brasileira foi utilizada como meio de manipulação das massas, propagando valores e ideologias que refletiam, logicamente, interesses particulares.

Em 1969, nascia a Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme), vinculada ao Ministério da Educação e Cultura, designada para produzir e distribuir filmes brasileiros no exterior. Paralelamente, a Embrafilme travava um severo embate ideológico com a Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP), criada pelo governo militar. Felizmente, o cinema brasileiro tomava rumos positivos por conta das manifestações artístico-culturais que se fortaleciam cada vez mais. Uma resistência em meio aos anos de chumbo. Tais manifestações surgiram a partir dos anos de 1960, como o Tropicalismo, por exemplo, que teve em Gilberto Gil e Caetano Veloso os seus expoentes.

Os movimentos faziam uma profunda reflexão da sociedade e denunciavam a ditadura, responsáveis por obras que criticavam a opressão e a propaganda militar, burlando, em certa medida, a censura implacável que assolava qualquer produção artística do período. Nesse sentido, um forte aliado foi o Cinema Novo, representado na figura icônica do cineasta, ator e escritor Glauber Rocha. O Cinema Novo se notabilizou entre os anos de 1960 e 1970, e se caracterizava como um fenômeno vanguardista, abordando temas políticos, como os problemas sociais do contexto. Também era altamente contrário à circulação de filmes internacionais no Brasil.

Antes da ditadura militar, o cinema brasileiro passou por um bom momento, até ser oficialmente utilizado para propósitos nefastos. Do interior desse período turbulento, surgiu uma resistência artística que combateu firmemente a dominação imposta. Atualmente, o cinema do país volta a ter destaque, inclusive exportando boas atrizes, atores, diretores, roteiristas.

Que os exemplos de um passado recente nos sirvam para que jamais se repitam aqueles dias sem liberdade. Para o bem da nossa fantasia e da nossa realidade.

Até a próxima!

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