21 de Outubro de 2018

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Wanderson Gomes

Ciências Sociais (graduação) e sociologia (mestrado)

Wanderson Gomes | wandersonjfgomes@hotmail.com

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25/04/2018

Venom: cinema e quadrinhos

Em linhas gerais, a história do megavilão Venom é bastante coerente com os propósitos de sua origem e existência. O processo de simbiose, que reveste o hospedeiro, surgiu a partir das condições precárias da vida no planeta de origem dessa espécie, Klyntar. No planeta sombrio, frio e selvagem, o revestimento a partir desse tecido gelatinoso surge como uma chance para que o hospedeiro sobreviva as intempéries do meio, ou seja, os Klyntar (que recebem o mesmo nome do planeta) são, na verdade, uma oportunidade de sobrevivência. O grande problema é que as habilidades que acompanham os Klyntar podem ser usadas para fins malignos caso os hospedeiros desenvolvam sentimentos ruins em relação a algo ou alguém. E esse é o motivo central para o surgimento do vilão do Homem-Aranha, Eddie Brock.

Nos quadrinhos, sua atuação é marcante, iniciada com o arco Guerras Secretas, em 1984. Em sua passagem pelo planeta de origem dos Klyntar, junto a outros heróis para travar batalhas com inúmeros violões, Homem-Aranha tem seu uniforme danificado e, posteriormente, encontra um módulo que preserva o Simbionte, localizado num compartimento específico, uma esfera negra. Ao tocar esta esfera, Homem-Aranha é imediatamente revestido pela substância, tendo, a partir daquele instante, recursos inesgotáveis para sobreviver ao planeta e seus desafios, como força aumentada e teias mais resistentes. Para Venom, a parceria fazia bastante sentido também. O vilão considerava Peter Parker seu hospedeiro ideal, alguém que já possuía poderes e que se aliavam aos dos Klyntar, formando uma criatura impecável do ponto de vista do desempenho em combate. Mas não do ponto de vista da personalidade...

Ao perceber as transformações negativas em seu humor e certa obsessão e manipulação, Homem-Aranha rejeita o "traje". Essa atitude faz com que Venom busque quase que imediatamente um novo aliado: Eddie Brock. O companheiro de trabalho de Peter possuía inveja, pois os trabalhos jornalísticos do teioso superavam os seus. A parceria entre Venom e Eddie criou um único objetivo: vingança e destruição do Homem-Aranha.
 
Nas telonas, essa relação foi brevemente retratada no terceiro filme dirigido por Sam Raimi, sob protagonismo de Tobey Maguire. Entretanto, nos últimos trailers apresentados pela Sony, o filme Venom, a ser lançado este ano e dirigido por Ruben Fleischer, parece trabalhar outras motivações iniciais. Enquanto a Sony cede parte dos seus direitos para a Marvel introduzir Peter Parker ao universo dos Vingadores, ela mesma tocou o barco com outros personagens que podem gerar bastante lucro, sobretudo nesses tempos onde a Sony vem encabeçando ideias cinematográficos sem desempenho de destaque (exceto Jumanji 2, maior bilheteria da história da empresa).

Pelos trailers recentes, dá pra perceber como pontos altos os diálogos que Eddie mantém com Venom, uma curiosa dupla personalidade que cai muito bem no colo de Tom Hardy. O exigente ator provavelmente escolheu este filme por sua proposta inovadora, é nisso que queremos acreditar. Os efeitos visuais da criatura, mostrados apenas no último trailer, parecem ainda não tão impressionantes, mas estamos falando de um filme a ser lançado, alguns retoques finais serão realizados.

Resta saber apenas como o amigo da vizinhança vai ser introduzido nesta trama, pois pensar Venom sem Homem-Aranha é o mesmo que pensar Coringa sem Batman (e olha que um projeto para o filme solo do vilão da DC está em planejamento também). Nessa onda de confusões entre quem são heróis, violões e anti-heróis, esperamos apenas por bons filmes, ou seja, aqueles que se propõem a agregar valor com uma narrativa que ouse minimamente. Estamos saturados de projetos que buscam somente o lucro. Infelizmente, parece este ser o caso de Venom (2018). Espero estar enganado...

E você, o que espera de Venom, novo filme de Tom Hardy?

Até a próxima!

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