22 de Outubro de 2018

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Wanderson Gomes

Ciências Sociais (graduação) e sociologia (mestrado)

Wanderson Gomes | wandersonjfgomes@hotmail.com

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08/06/2018

Os dois caminhos de Um Lugar Silencioso

Do ponto de vista da continuidade (se houver), acredito que existem dois caminhos que podem ser tomados pelo longa Um Lugar Silencioso e que foram inclusive lembrados na crítica ao filme pelo Adoro Cinema: se a produção vai seguir características mais artísticas e intelectuais ("cult") ou se vai enveredar pelo caminho mais comercial (blockbuster). Por ser um terror promissor, espero que a produção escolha a primeira opção, caso uma sequência venha mesmo a se confirmar.

Os aspectos não-comerciais é que fazem de Um Lugar Silencioso (2018) um filme tão atrativo. Ele é dirigido por John Krasinski, que também está no filme no papel de Lee Abbott e sua esposa, Emily Blunt, também atua como seu par amoroso, no papel de Evelyn Abbott. Na trama, eles possuem três filhos, interpretados por Millicent Simmonds, Noah Jupe e Cade Woodward. O filme conta com uma excelente ambientação, num contexto rural norte-americano e pós-apocalíptico, onde os sobreviventes precisam conviver com uma espécie alienígena agressiva e movida por sensores auditivos bastante precisos. O mínimo ruído não passa desapercebido de sua percepção.

Um Lugar Silencioso não precisa se aprofundar na história que os levou até aquele ponto. O espectador é imediatamente colocado diante dos acontecimentos e passa a incorporar naturalmente as práticas cuidadosas dos personagens para fazer silêncio, sem que isso seja explicitado de maneira escancarada como fazem os muitos filmes comerciais do gênero. O silêncio aqui incomoda e os barulhos repentinos são de prender a respiração. Nunca a sonorização de um filme foi tão crucial para o seu desenvolvimento.

O filme poderia ter ainda mais tensão se não fosse tão curto, mas talvez tenha servido de experiência para a carreira do ator e diretor John Krasinski, que buscou implantar sua marca no cinema sem que fosse metodologicamente exaustiva. Em certos momentos, percebi que alguns problemas no caminho da família Abbott foram solucionados com muita pressa, o que afetou a imersão no terror e fez o desenvolvimento da história, sobretudo no terceiro ato, ficar um pouco corrido. Mesmo assim, o longa foi arriscado ao focar em elementos interessantes, como o som. No início do primeiro ato, as cenas silenciosas causam apreensão, e se entende então o que está acontecendo e quais os procedimentos da família, sem que seja necessário explicação alguma.

Por essas e outras, o filme da Paramount foi premiado ao alcançar mais de U$235 milhões na bilheteria mundial, mesmo quando se tem Vingadores: Guerra Infinita como oponente de peso. Resta saber se o caminho comercial ditará o ritmo de uma suposta próxima produção, já que está claro que o gênero de terror/suspense ainda tem bastante fôlego.

E você, o que achou de Um Lugar Silencioso?

Até a próxima!

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