Raqueline da Silva Santos

EscreveNordeste

Lá vem História! Formação do Território Nordestino

Bahia.ws

Falou em Nordeste as pessoas já tem um esteriótipo criado. Logo pensam em: seca, fome e miséria. Já outras pessoas lembram de nossas belas praias. Mas, quem de fato reconhece como surgiram esses esteriótipos sobre a região Nordeste? O que faz com que a maioria das pessoas tenham uma visão tão negativa da região?

É no Nordeste que começa a história do Brasil. Foi através do litoral baiano que os portugueses se instalaram no Nordeste. As primeiras ações dos portugueses foram destruir a nossa identidade, ou seja, interferir no modo de vida das populações indígenas. Através da exploração da mão-de-obra indígena e da escravidão o território da região Nordeste foi se consolidando através da monocultura canavieira.

Essa breve apresentação sobre a formação do território do Nordeste deve ser evidenciada a partir da exploração dos europeus sobre as populações indígenas e a exploração da mão-de-obra negro africana que fora escravizada. Esse processo histórico tem forte relação com as condições de desenvolvimento que se estabeleceu no Nordeste. Pois, a produção da monocultura canavieira foi essencial para o avanço das terras nordestinas. O comércio foi ampliado e com isso cada vez mais recursos eram investidos.

Por outro lado, a riqueza acumulada estava voltada para os países europeus, que no século XV eram conhecidos como metrópoles. O Brasil, por sua vez era conhecido como colônia. Essa relação entre metrópole e colônia, fez com que o Nordeste tivesse uma estrutura fundiária muito concentrada, ou seja, terras nas mãos de poucos, o que prevalece até os dias atuais. E isso respalda sobre as famílias tradicionais que ocupam os espaços econômicos, sociais e políticos.

A região Nordeste durante os séculos XVI até o século XVIII tinha a maior parte da população e das riquezas do Brasil. Mas, com a decadência da monocultura canavieira e a expansão da exploração dos europeus sobre o Brasil, há um forte deslocamento da produção para a região Sudeste, com a expansão do café, por exemplo.

Essa dinâmica implica no esteriótipo que se criou sobre o Nordeste e seu povo, pois no período de decadência econômica, a falta de investimentos públicos sobre a região era grande e o investimento estava centrado na região Sudeste, com isso, houve um grande fluxo migratório da região Nordeste para a região Sudeste. Isso resultou na exportação de mão-de-obra barata para outras regiões. Com isso, o povo nordestino passa a migrar e trabalhar arduamente para o crescimento da industrialização no Sudeste.

Essa situação fez com que o contexto de desenvolvimento do Nordeste fosse sendo marcado pelos fluxos migratórios intensos, pelas constantes crises econômicas e pelas secas. Isso gerou pobreza e aumento da desigualdade social. E as condições de desenvolvimento foram ficando atrasadas no âmbito econômico, educacional, social e epidemiológico. Consequentemente, os fluxos migratórios foram se acentuando e a imagem que passa a ser criada em âmbito nacional sobre a região é a pobreza extrema.

Por outro lado, nos dias atuais já não se pode analisar o Nordeste apenas por essas questões históricas. Cada vez mais, o Nordeste vem recuperando seu papel na economia, vem contribuindo para a diminuição da violência, do analfabetismo, da pobreza e miséria. Isso tem se dado pelas políticas de desenvolvimento para a região.

Porém, ainda há muito desafio para mudar essa realidade posta pelo senso comum, é preciso reconhecer o potencial da região Nordeste em suas multiplicidades econômicas, sociais, políticas e ambientais. O Nordeste é mais que seca, é mais que praia. É uma região que resiste frente a diversas adversidades, mas que tem um povo traballhador e lutador, que busca mudar esse esteriótipo criado nacionalmente sobre o seu povo.

Nos dias atuais nossa divisão territorial está configurada em nove estados, a saber: Maranhão (MA); Piauí (PI); Ceará (CE); Rio Grande do Norte (RN); Paraíba (PB); Pernambuco (PE); Alagoas (AL); Sergipe (SE); Bahia (BA). Outra divisão é as regiões naturais e geográficas que dividem o Nordeste em: zona da mata, agreste, sertão e meio-norte.

Essa configuração territorial já nos mostra a diversidade do Nordeste diante desses estados e zonas geográficas. É preciso perceber que, o Nordeste tem uma grande diversidade e vem crescendo muito economicamente com o avanço das indústria em seu território. Portanto, já não dá mais pra remeter-se ao Nordeste apenas como um território da pobreza, da seca e da miséria. É preciso reconhecer que a região tem um potencial diverso e por isso é uma região muito rica. Essa riqueza pode ser vista nas manifestações culturais, no dia a dia e na forma de resistir do povo nordestino.

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